Tudo o que você precisa saber sobre inovação

Inovação: Lâmpada alçando voo

A inovação é um tema cada vez mais discutido, diante da busca pela promoção de novos modelos de negócios e valorização da experiência do consumidor, que fazem parte do processo de retomada econômica por que passamos.

Melhorar produtos, serviços e processos de modo a tornar a vida das pessoas mais fácil. Eis um desafio que só pode ser destrinchado a partir de mentes inovadoras.

É preciso destacar também que a transformação digital mudou consideravelmente o comportamento do consumidor, que está muito mais exigente e tem diversas possibilidades de escolha. Diante disso, investir em inovação se tornou um fator de competitividade e visibilidade de mercado para as empresas.

Neste artigo, criamos um verdadeiro guia sobre inovação. Explicamos o que é, como pode ser aplicada, quais empresas se destacam com a oferta de soluções inovadores, qual é a relação entre inovação e empreendedorismo, entre uma série de outros tópicos.

Tenha uma boa leitura!

O que é inovação?

Inovação é criar algo novo, que pouco se assemelha aos padrões anteriores. O conceito, contudo, é amplo. Inovar também está relacionado a renovar e recriar, o que remete à ideia de melhorar ou substituir algo, seja um processo, produto ou serviço.

A palavra inovação tem origem no verbo latino innovare, que significa, em essência, renovar ou restaurar.

Isso significa que a inovação pode tanto transformar um mercado a partir de uma nova solução, sendo capaz de revolucioná-lo e também de melhorar algo que já exista.

Joseph Schumpeter, economista e cientista político austríaco considerado um dos grandes pensadores da inovação, colocou a inovação no patamar de motor do crescimento econômico

O economista criou o conceito de “destruição criativa”, pautada na ideia de destruir o antigo para criar algo novo. Esse conceito é entendido como a força propulsora não só do capitalismo, mas também do progresso material.

O fato é que os produtos e serviços que não acompanham as novas tecnologias e tendências logo se tornam obsoletos. Isso porque, com a grande variedade de ofertas no mercado, o consumidor tende a sempre buscar por coisas novas e que possam gerar valor para a sua vida, seja no âmbito pessoal ou profissional.

Sendo assim, no contexto empresarial, inovar é mandatório para manter a competitividade no mercado.

Qual é o objetivo da inovação?

O objetivo da inovação é, basicamente, gerar valor para o negócio a partir de um novo produto, serviço ou processo. Ou, como explicamos antes, do aperfeiçoamento de algo que já exista.

Em outras palavras, se algo novo não gera benefícios para a empresa ou para os consumidores, essa novidade não pode ser considerada uma inovação.

Mas, engana-se quem pensa que inovar, no meio empresarial, é simplesmente tirar uma ideia do papel para testar a sua aceitação no mercado. Inovação envolve gestão!

Leia também: Inovação no ensino superior: Como fomentar produtos inovadores nas instituições de educação superior (IES)

Em que consiste a gestão da inovação?

Realizar a gestão da inovação consiste em gerenciar novas ideias, desde a sua ideação até a aplicação prática, transformando-as em soluções que atendam aos interesses do negócio e dos consumidores.

Apesar de parecer algo mais ligado aos tempos atuais, a gestão da inovação vem revolucionando o mundo empresarial nos últimos cem anos, segundo um artigo da Harvard Business Review.

Gary Hamel, autor do artigo em questão, argumenta que ainda são poucas as empresas com um processo bem estruturado e documentado de gestão contínua da inovação, observe:

“Praticamente todas as organizações no planeta trabalharam sistematicamente nos últimos anos para reinventar seus processos de negócios em prol da velocidade e eficiência. Que estranho, então, que tão poucas empresas apliquem um grau semelhante de diligência ao tipo de inovação que mais importa: inovação gerencial”, argumenta.

Para o autor, a gestão da inovação pode ser definida como um afastamento incisivo dos princípios, processos e práticas tradicionais de gestão. Ele fala também em afastamento das formas organizacionais correntes, de forma a alterar significativamente a forma como o trabalho de gestão é realizado.

Em suma, podemos dizer que a gestão da inovação é um processo que sistematiza de forma estratégica o desenvolvimento de produtos, serviços e processos. Ou seja, envolve o gerenciamento de ferramentas, métodos e pessoas.

Leia também: Guia para aperfeiçoar a gestão de pessoas

7 fontes de oportunidades para inovar

O escritor e professor Peter Drucker, austríaco e defensor da inovação nas empresas, defendia que transformar ideias inovadoras em um projeto lucrativo é a essência do empreendedor.

Segundo Drucker, há sete fontes que são oportunidades para inovar. São elas:

  1. O inesperado;
  2. A incongruência;
  3. A necessidade do processo;
  4. Mudanças na estrutura;
  5. Mudanças demográficas ou populacionais;
  6. Mudanças em percepção, disposição e significado;
  7. Conhecimento novo.

Confira:

1. O inesperado

Um evento inesperado, como o fracasso de um ação planejada, pode ser motivador para a busca de uma oportunidade de inovação.

2. A incongruência

Há situações em que setores ou mercados que já existem não atendem a todas as demandas que deveriam. É nesse sentido que essas lacunas identificadas podem ser aproveitadas por novos negócios.

3. A necessidade do processo

Existem momentos em que inovar é preciso, seja para reduzir custos, aumentar a produtividade ou otimizar processos já existentes.

4. Mudanças na estrutura: 

As necessidades de diferentes setores — indústria, serviços, varejo etc. — varia ao longo do tempo, o que abre possibilidades para a aplicação de práticas inovadoras.

5. Mudanças demográficas ou populacionais

Alguns fatores geram mudanças sociais que representam novas oportunidades de negócios, como exemplos: 

  • Envelhecimento da população;
  • Ascensão de determinada classe social;
  • Mobilidade urbana;
  • Mudança em configurações familiares; entre outros.

6. Mudanças em percepção, disposição e significado

As tendências culturais e de comportamento também mudam constantemente. Hoje temos, por exemplo, o aumento na procura por alimentos orgânicos e por um estilo de vida mais sustentável. Diante disso, surge a oportunidade de criar soluções inovadoras que atendam a este tipo de demanda.

7. Conhecimento novo

Por fim, a inovação também é pautada pela busca de novos conhecimentos. As pesquisas médicas e científicas são grandes exemplos disso.

Qual a relação entre criatividade e inovação?

A criatividade dita a inovação. Ser criativo é exercer a capacidade de imaginar algo que ainda não existe, quer no campo artístico, científico, esportivo, etc. Já a inovação está relacionada a colocar a criatividade em prática, ou seja, tirar uma ideia do papel e implementá-la, de fato.

Isso significa que criatividade e inovação devem andar juntas, para que seja possível explorar novas ideias capazes de dar sustentação à competitividade de uma empresa no mercado. Afinal, o desenvolvimento de novos produtos e serviços, a conquista de novos clientes e até a produtividade dos times estão relacionados à busca constante por soluções criativas e inovadoras.

Inovação: materialização de ideias criativas

Como você pôde ver, a inovação é a materialização de novas ideias. Ou seja, se uma ideia criativa não é implementada, ela não é inovadora. 

Por isso, para que as empresas consigam gerar valor a partir da inovação, precisam contar tanto com mentes criativas quanto com a habilidade de inovar.

Leia também: Design Thinking na educação: mais criatividade e iniciativa na IES

Como ser criativo? Conheça os 4 pilares da criatividade

Em 1926, o sociólogo e psicólogo inglês da London School of Economics, Graham Wallas, lançou uma teoria chamada “Arte do Pensamento”. Ela definiu em quatro etapas o processo de surgimento de uma nova ideia. 

O modelo foi batizado de “4-stage model”. Para Wallas, o processo criativo é como uma delicada dança osmótica entre trabalho consciente e inconsciente. 

Nesse sentido, conheça os quatro pilares da criatividade:

  1. Preparação;
  2. Incubação;
  3. Iluminação;
  4. Verificação.

Confira, a seguir, cada um deles: 

1. Preparação 

Consiste no estudo preparatório acerca de um tema. Trata-se de uma etapa consciente, em que o problema é investigado em todas as suas variáveis.

2. Incubação

O tempo em que a ideia é formulada dentro da mente, a partir de um processamento inconsciente, chamado também de “ócio criativo“. Ou seja, a mente trabalha sem que haja um esforço direto, procurando novas conexões com base na preparação realizada anteriormente.

3. Iluminação

Momento do insight criativo, do “Eureka”, em que há a transição do trabalho inconsciente para o “clique” da nova ideia.

4. Verificação

Estágio em que se coloca a nova ideia à prova e verifica se ela é capaz de se adequar à realidade.

Vale destacar que os quatro estágios do processo criativo não são lineares. Afinal, a mente humana é bastante complexa, como bem sabemos.

Além disso, muitos processos de criatividade podem não partir de um problema, por exemplo, mas de uma experiência, sentimento ou até memória. 

Quais são as dificuldades enfrentadas para inovar? 

Um estudo desenvolvido pela ACE Cortex, sobre Corporate Venture Building no Brasil, indicou que a maturidade das organizações é um dos principais aspectos que impede a implementação da inovação no dia a dia.

Segundo a pesquisa, as principais dificuldades para as empresas são o desenho de uma estratégia geral de inovação (31,4%), que conduza as iniciativas de maneira estruturada, e a falta de preparo dos colaboradores para trabalharem com inovação (17,6%).

O estudo, que contou com entrevistas de mais de 200 C-levels e diretores, observou dois grupos: 

  1. Companhias que não praticam inovação;
  2. Companhias que praticam inovação. 

Conheça os resultados: 

Companhias que não praticam inovação

O estudo revelou que grande parte das empresas que não praticam inovação (79,2%) têm uma baixa ou média maturidade para trabalhar com o tema. Ou seja, muitas declaram ter uma estratégia, mas possuir pouca ou nenhuma iniciativa de inovação aplicada.

Companhias que praticam inovação

Já entre as companhias que praticam inovação no seu dia a dia, a maioria (60,4%) criou uma área interna dedicada em tempo integral para lidar com novas empresas. Isso se deu tanto por meio de um departamento de novos negócios quanto a partir de um comitê de inovação ou programa de intraempreendedorismo.

Segundo o estudo, três grandes objetivos guiam a estrutura de inovação nas empresas. São eles: 

  • Aumentar o portfólio de produtos e serviços (60,4%);
  • Gerar novas fontes de receita (54,2%);
  • Entrar em mercados estratégicos (50%).

Grande parte das empresas entrevistadas (73%) lançou entre um e cinco novos negócios a partir da área de inovação.

Vale ressaltar que a inovação está longe de ser algo restrito a grandes empresas. Está também fundamentalmente atrelada ao empreendedorismo, como você verá a seguir.

Leia também: Gestão de processos na educação: saiba como realizar com eficácia

Empreendedorismo e inovação

O termo empreendedorismo está relacionado à habilidade de uma pessoa, o empreendedor, de identificar um problema ou oportunidade. E a partir disso investir recursos e competências para iniciar um negócio, projeto ou movimento que tenha potencial de gerar impacto positivo para determinado público.

Já a inovação, como você viu até aqui, está ligada ao desenvolvimento de algo que se diferencie do que já exista no mercado. 

Para inovar, é preciso que um profissional investigue as necessidades de seu público que ainda não foram sanadas de forma satisfatória. Ele deve se voltar à criação de soluções que deem conta desse gap e gerem uma mudança na vida dos consumidores. 

Alguns processos podem funcionar como um norte para que os empreendedores identifiquem potenciais recursos criativos para o seu negócio. Eles passam por:

  • Definir os objetivos da empresa;
  • Estudar os concorrentes;
  • Ter uma base de referência;
  • Focar no cliente;
  • Capacitar-se e proporcionar também capacitação para a sua equipe;
  • Estimular a criatividade.

Leia também: Empreendedorismo: Estratégia de sobrevivência para pequenas empresas

50 empresas mais inovadoras do mundo em 2021

Já que o assunto é empreendedorismo e inovação, nada melhor para torná-lo mais compreensível do que apresentar alguns exemplos de negócios inovadores que vêm transformando o mercado, certo? 

Anualmente, o site Fast Company, especializado em notícias sobre o novo mercado, lança uma lista dos negócios que estão causando mais impacto pelo mundo, seja em suas indústrias ou na cultura local.

Confira, a seguir, as 50 empresas mais inovadoras em 2021, assim como o motivo que fez com que entrassem no ranking (em tradução nossa)!

#1. Moderna: “Por fazer a vacina contra a Covid-19 decolar”.

#2. Pfizer-BioNTech: “Por ser a primeira a levar ao mercado uma vacina eficaz contra a Covid-19”.

#3. Shopify: “Por ser um ‘salva-vidas’ para pequenas lojas”.

#4. SpaceX: “Por disparar na corrida espacial”.

#5. SpringHill Company: “Por unir entretenimento e justiça social por meio do conteúdo de Hollywood”.

#6. Epic Games: “Por desafiar a hegemonia da Big Tech — e ter uma visão para construir algo melhor”.

#7. Netflix: “Por tornar a audiência de pessoas negras central para a sua estratégia de programação”.

#8. Tock: “Por restaurar uma ‘vantagem’ para restaurantes e pequenos negócios impactados pelo coronavírus”.

#9. Microsoft: “Por se comprometer a remover todo o carbono que a empresa já emitiu até 2050”.

#10. Graphika: “Por rastrear campanhas de desinformação e fake news ao redor do mundo”.

#11. Ping An Good Doctor: “Por demonstrar como a telesaúde em larga escala pode funcionar”.

#12. Outschool: “Por fazer o ensino remoto divertido”.

#13. National Basketball Association: “Por ser a primeira liga esportiva profissional importante a interromper sua temporada devido à pandemia de Covid-19 e, depois, uma das primeiras a voltar a jogar com sucesso”.

#14. Snap: “Por criar uma ponte sobre a realidade com miniaplicativos”.

#15. Asana: “Por ajudar equipes a atingirem seus objetivos”.

#16. Biobot Analytics: “Por descobrir rapidamente como detectar um novo surto de Covid-19 por meio da análise de esgotos”.

#17. Nike: “Por recuperar o relacionamento com seus clientes”.

#18. Ben & Jerry’s: “Pelo ativismo corporativo pioneiro”.

#19. Sony Interactive Entertainment: “Por subir de nível mais uma vez”.

#20. Seegene: “Por produzir um teste de diagnóstico de Covid-19 e torná-lo global, enviando mais de 55 milhões de kits para 67 países”.

#21. goTRG: “Por recondicionar e reciclar mercadorias devolvidas e economizar dinheiro (e o planeta) no processo”.

#22. Corning: “Por reforçar a durabilidade dos celulares contra quedas”.

#23. Farfetch: “Por digitalizar as pequenas lojas e colocá-las no Tmall da China”.

#24. Marqeta: “Por criar uma infraestrutura moderna para o uso de cartões de crédito em apps”.

#25. Ruangguru: “Por viabilizar a transmissão de aulas ao vivo gratuitamente para dez milhões de estudantes durante o lockdown”.

#26. Lululemon: “Por refletir sobre o que os clientes desejam ao comprar o Mirror – um sistema de condicionamento físico interativo”.

#27. Aclima: “Por proporcionar uma compreensão mais aprofundada sobre a poluição”.

#28. Get Shift Done: “Por combater a perda de emprego e a fome, pagando funcionários de hotelaria para preencherem turnos em abrigos e banco de alimentos”.

#29. NBCUniversal: “Por mover proativamente seus negócios tradicionais para o futuro”.

#30. Hipcamp: “Por trazer os acampamentos para mais perto de casa em um ano em que todos precisávamos sair”.

#31. Panera Bread: “Por encontrar soluções criativas para levar café, mantimentos e refeições aos clientes durante a pandemia”.

#32. Puris: “Por ampliar a indústria de carnes alternativas com uma variedade de ervilhas com alto teor de proteína”.

#33. Avocados From Mexico: “Por transformar algo ‘humilde’ em um produto de marca cobiçado”.

#34. Hermès: “Por criar produtos aspiracionais projetados para durar para sempre, feitos por um exército de artesãos qualificados”.

#35. LeoLabs: “Por detectar lixo espacial”.

#36. Goodby Silverstein & Partners: “Por equilibrar os sucessos do Super Bowl com o trabalho antirracista do PSA”.

#37. Credo Beauty: “Por lidar com o problema das embalagens da indústria da beleza”.

#38. Twilio: “Por facilitar a comunicação face a face durante uma era de distanciamento social e bloqueio global”.

#39. SiO2 Materials Science: “Por criar uma camada fina de vidro em frascos de vacinas do coronavírus”.

#40. Teladoc Health: “Por ampliar as opções de tratamento a pacientes com diabetes e hipertensão”.

#41. NotCo: “Por levar leite e carne à base de plantas para as massas”.

#42. Peloton: “Por motivar os consumidores a continuarem se exercitando, mesmo depois de semanas e meses em casa”.

#43. Snowflake: “Por permitir que as empresas explorem o poder dos dados, independente do segmento em que estejam”.

#44. Brandlive: “Por ajudar as campanhas presidenciais nos Estados Unidos a capturarem a experiência de TV ao vivo”.

#45. Substack: “Por dar aos escritores um refúgio lucrativo”.

#46. Frubana: “Por digitalizar o fornecimento de alimentos da fazenda à mesa”.

#47. Getaway: “Por redefinir o retiro ao ar livre”.

#48. Zwift: “Por proporcionar competições esportivas online”.

#49. Skillshare: “Por dar a profissionais criativos e amadores uma saída de pandemia”.

#50. Stablegold Hospitality: “Por unir uma rede de segurança habitacional em cidades em dificuldades”.

É possível empreender em diferentes cenários?

Trouxemos este levantamento para você ver como soluções inovadoras podem partir dos mais diferentes cenários. A inovação pode ser uma força propulsora para o empreendedorismo, ainda que isso signifique empreender dentro da empresa na qual se trabalha. 

A prática, neste caso, é chamada de empreendedorismo corporativo. Trata-se de se posicionar como empreendedor, gerando inovação, vantagens e oportunidades de crescimento, tanto para você quanto para a empresa onde atua.

Deu para perceber que empreendedorismo tem tudo a ver com inovação, certo? Esperamos que o levantamento apresentado ajude você a compreender as diversas possibilidades que podem ser exploradas por quem está querendo começar o próprio negócio, ou contribuir para tornar mais competitivo um negócio que já existe.

Falando nisso, vale destacar também a evolução do comportamento do empreendedor, que acompanhou a evolução do comportamento do próprio consumidor, como você verá a seguir!

Como deve ser o comportamento do empreendedor?

Hoje, os comportamentos empreendedores que se destacam são:

  • Inteligência social: habilidade de compreender e reagir adequadamente a diferentes meios sociais, entendendo as características socioemocionais das pessoas ao entorno, de modo a interagir e influenciar positivamente essas pessoas; 
  • Cocriação: trabalhar junto a agentes externos — que podem ser, inclusive, os próprios consumidores — em processos da empresa, a fim de produzir de forma conjunta um resultado valorizado mutuamente;
  • Aprendizado de novas mídias: compreender como o público-alvo do negócio se relaciona com as diferentes mídias e incorporá-las à estratégia de comunicação da empresa, a fim de estreitar a relação com os consumidores;
  • Fazer mais com menos: focar em aumentar a produtividade sem que, para isso, seja necessário aumentar o esforço a um nível insustentável. Para tanto, pode-se atuar com o corte de gastos excessivos, revisão de rotinas, engajamento de equipe e precificação adequada dos produtos ou serviços oferecidos;
  • Tolerância ao erro: um ambiente que favorece a inovação deve ser também receptivo aos erros. Afinal, quem não é tolerante ao fracasso diante de algo novo corre o risco de desistir antes mesmo de tentar colocar a ideia em prática;
  • Mente aberta: inovar implica em manter a mente aberta e sair da zona de conforto, dando espaço a opiniões diferentes da sua. Uma mente aberta se reflete em maior flexibilidade, aspecto fundamental para empreendedores e profissionais inovadores.

Além dos aspectos que acabamos de mencionar, características como integridade, persistência, iniciativa, planejamento, autodisciplina, confiança, persuasão e capacidade de liderança são necessárias para que os empreendedores sigam em frente e possam dar os próximos passos.

Leia também: 15 Atitudes profissionais para garantir uma carreira de sucesso!

Inovação disruptiva X inovação sustentadora

As inovações disruptivas costumam vender inicialmente a clientes novos ou que geram uma rentabilidade menor para as empresas.

Elas têm desempenho inferior ao de produtos que já estão no mercado. Mas, apesar de serem menos sofisticadas e de menor qualidade, muitas vezes acontecem de serem também mais simples, convenientes e fáceis de usar.

Há empresas já estabelecidas que desenvolvem inovações disruptivas. Contudo, os clientes que geram mais valor para o negócio comumente não se interessam por elas. Pelo menos, inicialmente.

Mas, quando os inovadores disruptivos aprimoram a qualidade do produto, os consumidores tendem a mudar de ideia e achar que ele atende a uma necessidade a menor custo.

No entanto, muitas empresas estabelecidas entram tarde para o mercado da inovação disruptiva, pois demoram a identificar o seu potencial. Assim, encontram dificuldade em competir.

Há, inclusive, funcionários com perfil pioneiro nessas empresas que se demitem para abrir novos negócios pautados pela inovação disruptiva.

Enquanto isso, tais companhias focam em inovações sustentadoras, a fim de melhorar continuamente os seus produtos. Acontece que estas inovações chegam a um patamar em que oferecem mais qualidade do que os clientes buscam ou podem pagar. Atingem, então, um ponto em que a qualidade relativa já não tem impacto nas decisões dos clientes.

Deste modo, ao se concentrarem em buscar negócios com margens maiores para clientes mais exigentes, ignoram os clientes de baixo custo. Então, criam abertura para inovações disruptivas, que ganham estes consumidores emergentes.

As inovações disruptivas acabam ganhando o mercado porque os clientes começam a voltar-se a aspectos como conveniência, confiabilidade e preço, que são chave na decisão de compra.

Entenda o paradoxo do fracasso

O paradoxo do fracasso consiste em um dilema para o inovador. Como deu para perceber a partir do tópico acima, às vezes, é necessário que uma empresa ignore os seus clientes mais rentáveis para investir em oportunidades de retorno inicialmente menores.

Empresas já estabelecidas tendem a ouvir os seus principais clientes, pesquisar tendências de mercado e melhorar a qualidade dos produtos que já possuem. 

Assim, elas não se permitem colocar no mercado um novo produto de qualidade inferior, rompendo a sua proposta de valor em busca da exploração de novos mercados. E, claro, os inovadores que vêm debaixo aproveitam esta brecha.

Por isso, é preciso que companhias tradicionais criem um ambiente propício para a inovação disruptiva, em que possam arriscar, fracassar e aprender com os erros. Este é um percurso que faz parte deste tipo de inovação.

Estratégia do oceano azul

Você provavelmente já ouviu falar na estratégia do oceano azul. Bastante difundida quando o assunto é inovação, ela dita que a melhor forma de superar a concorrência é parar de tentar superá-la.

A perspectiva pode soar estranha a princípio, mas faz bastante sentido. A ideia é que, em vez de explorar aquilo que o mercado já oferece, busque-se por mercados ainda não explorados. Estes são chamados pelos autores do conceito de “oceano azul”.

Na metáfora, o oceano azul é um local onde se pode nadar livremente, enquanto os mercados já saturados são o “oceano vermelho”, alusão ao sangue derramado pelas batalhas entre os concorrentes.

Confira a seguir os 8 fundamentos do oceano azul:

  1. Usar dados para embasar a estratégia;
  2. Unir diferenciação e baixo custo;
  3. Criar uma brecha no mercado;
  4. Usar ferramentas para identificar as oportunidades;
  5. Seguir o passo a passo existente;
  6. Maximizar oportunidades e minimizar riscos;
  7. Transformar execução em estratégia;
  8. Conquistar resultados sustentáveis.

Trata-se de um conceito pautado pela inovação no modelo de negócio, mirando em nichos e demandas de mercado ainda não identificados pela concorrência.

É claro que não é fácil criar produtos visionários ou inéditos. Mas, a estratégia do oceano azul pode inspirar os empreendedores a refletirem sobre a combinação ideal entre soluções diferenciadas, preços justos e funcionalidades que sejam atrativas para os consumidores.

A inovação não precisa estar, necessariamente, em uma ideia de negócio sem precedentes. Pode concentrar-se em uma nova perspectiva sobre um mercado tradicional e pouco mutável, que foque em uma nova demanda.

Assim, a empresa depende menos de ter que “lutar contra os concorrentes” e tem mais autonomia para conquistar o seu próprio território.

Panorama da inovação em empresas brasileiras

Está claro que a busca pela inovação é essencial para que as empresas mantenham a competitividade. Contudo, não é fácil inovar, como revela a 4ª edição da pesquisa Ace Innovation Survey, liderada pela consultoria de inovação ACE Cortex.

Segundo o estudo, que fornece um panorama da inovação nas companhias nacionais, inovar é prioridade para 85% das empresas na formulação de suas estratégias de negócios. Contudo, apenas 36% das organizações têm uma estrutura adequada para fomentar o desenvolvimento de novas ideias.

Quase 45% dos respondentes à pesquisa acreditam que o principal entrave para a inovação é de cunho cultural. Reconhecem, portanto, que a visão, valores, estratégias e processos de suas empresas não partiram de uma mentalidade disruptiva.

Já para 35% dos entrevistados, a barreira é de ordem financeira. Ou seja, a sua perspectiva é de que faltam recursos para o financiamento de projetos de inovação.

Por sua vez, 25% veem que a ausência de uma liderança focada em inovação é o principal impasse.

Apesar de os empresários apontarem entraves de diferentes natureza para a inovação no Brasil, todos têm em comum a perspectiva de que inovar não se limita a adotar as mais recentes tecnologias. Mais do que isso, depende das pessoas que trabalham na empresa.

Nesse sentido, assim declarou Luis Gustavo Lima, sócio da ACE Cortex:

“É necessário assimilar uma nova mentalidade, mais criativa e empreendedora, voltada para o risco e realização de experimentos. Inclusive, promovendo a disrupção do próprio modelo de negócios da companhia, sendo a tecnologia um meio e não um fim para alcançar os objetivos da corporação”

Parceria com startups

Das empresas que responderam à pesquisa, 7 em cada 10 tiveram algum vínculo ou conexão com startups ao longo do ano anterior ao estudo (2020). 

Cerca de 61% contratam startups como fornecedoras de tecnologia, produtos ou serviços, por conta de seu modelo de negócios mais enxuto. Quase metade contratou para impulsionar projetos internos de inovação. Além disso, quase 40% das companhias investiram em startups com expectativa de retorno futuro.

Os números indicam que as empresas já estabelecidas no mercado têm deixado de encarar as startups como concorrentes que ameaçam os seus negócios. Na verdade, elas estão buscando aprender e se desenvolver com elas.

Transformação digital e inovação nas empresas

A pesquisa Ace Innovation Survey mostrou ainda que a transformação digital foi a principal iniciativa de inovação realizada no ano anterior ao estudo. Quase metade das empresas entrevistadas realizou algum programa voltado à digitalização de processos e implementação de uma cultura organizacional mais ágil e digital.

A criação de squads — equipes pequenas e multidisciplinares focadas no desenvolvimento rápido de soluções — foi outra iniciativa amplamente adotada pelas companhias. 

O estudo foi baseado em respostas de 125 representantes de empresas de diferentes portes, de startups com menos de R$10 milhões de receita anual a corporações com mais de R$10 bilhões de faturamento anual.

Bem, inovação envolve também responsabilidade, e é sobre isso que iremos falar a seguir!

3 pilares da inovação responsável

A pandemia de Covid-19 é apenas um dentre os diversos desafios sem precedentes enfrentados em escala mundial. Mudanças climáticas, poluição do ar e da água, degradação do solo, superpopulação e outros problemas também fazem parte do “pacote”.

Diante disso, a inovação é fundamental para superar desafios sociais e ambientais. Considerando que ela surge, sobretudo, nas empresas, é imprescindível que as companhias pautem a criação de novos produtos e serviços em um processo de inovação responsável.

Neste sentido, há três pilares-chave que sustentam este processo. Confira!

  1. Evitar causar danos;
  2. Fazer o bem;
  3. Ser motivado por uma governança responsável.

1. Evitar causar danos

O processo de inovação deve ser criado com o amparo de estruturas de gestão de risco, capazes de ajudar na compreensão do entendimento da complexidade dos desafios sociais e ambientais com que lidamos. 

É necessário que haja regulamentações e padrões de responsabilidade consistentes, de modo que as investidas de inovação tenham o feedback necessário. 

Naturalmente, as empresas não criam produtos e serviços inovadores a fim de prejudicar o meio ambiente. Contudo, as inovações podem ter um double effect, ou efeito duplo, em determinados casos.

2. Fazer o bem

A sustentabilidade empresarial envolve o posicionamento ambientalmente responsável que as empresas devem adotar, indo ao encontro, inclusive, do conceito de ESG.

É possível que você já tenha se deparado com essas três letras, que surgiram no meio corporativo como uma forma de mensurar o impacto que as ações de sustentabilidade geram nos resultados das empresas.

O termo é uma sigla para Environmental, Social and Governance, que, em português, se traduz como Meio Ambiente, Social e Governança.

A sigla surgiu pela primeira vez no ano de 2004, em um grupo de trabalho do Principles for Responsible Investment (PRI). Trata-se de uma rede ligada à ONU, cujo objetivo é convencer investidores quanto à adoção de investimentos sustentáveis.

James Gifford, economista que liderava o PRI naquele momento, resumiu assim o significado de ESG:

“O ESG é apenas um subgrupo inserido no contexto maior do investimento sustentável. O termo foi criado, especificamente, para focar em questões materiais. A ideia foi inverter a lógica do que, na época, era chamado de investimento ético, para se concentrar em fatores relevantes para os investidores. 

Se você tem uma responsabilidade fiduciária, como no caso de um fundo de pensão, não deveria estar pensando num horizonte de nove meses, mas sim de nove anos, ou de 20 anos. 

E, quando se considera esse horizonte, temas como mudanças climáticas, riscos sociopolíticos etc., se tornam relevantes. Algumas pessoas usam o termo de maneira mais ampla, mas o ponto central é a incorporação de fatores socioambientais nos investimentos para gerenciar riscos. Não é mais sobre ética”.

Portanto, se antes as empresas deveriam concentrar esforços em seu crescimento e lucratividade, agora é também papel delas considerar o impacto social de suas ações.

Um dos principais motivos da notoriedade que a agenda ESG vem ganhando nas empresas é a urgência em combater as mudanças climáticas. Segundo a ONU, para limitar o aquecimento global em 1,5ºC, quando comparado aos níveis pré-industriais, as emissões de carbono precisam ser reduzidas em 45% até 2030, chegando a zero até 2050.

Neste contexto, mais de 70 países, que representam cerca de 76% das emissões globais de carbono, já se comprometeram com metas de carbono zero.

Por isso, é possível que novas regulações surjam nos próximos anos e obriguem as empresas que ainda não adotam uma postura sustentável a fazê-lo. Do contrário, os seus produtos e serviços perderão espaço para alternativas menos poluentes.

A inovação, portanto, envolve também que as empresas se reencontrem com o seu propósito e pensem em como atuar de forma mais benéfica para a sociedade e o planeta.

3. Ser motivado por uma governança responsável

Este tópico tem bastante relação com o que acabamos de falar. A governança corporativa permite que se reflita mais profundamente sobre os possíveis efeitos prejudiciais da inovação, a partir do olhar de especialistas externos.

Viabiliza ainda o debate sobre os objetivos de determinada inovação, sendo um mecanismo para priorizar a inovação responsável.

Quando pensamos na sigla ESG, o G — de Governança — está ligado a todas as políticas, processos, orientações e estratégias de administração das empresas e entidades. 

A sigla incorpora uma série de aspectos, como: 

  • Conduta corporativa; 
  • Composição do conselho da empresa e sua independência; 
  • Práticas anticorrupção; 
  • Auditorias internas e externas; 
  • Respeito aos direitos dos consumidores;
  • Fornecedores e investidores;
  • Transparência de dados; entre outros.

Chegamos ao fim do nosso guia sobre inovação, com a esperança de que você tenha ampliado o seu repertório sobre o tema e se sinta mais preparado(a) para materializar boas ideias, com potencial de gerar valor para outras pessoas.

Gostou deste artigo sobre inovação? Para ter acesso a mais conteúdos como este, continue acompanhando o nosso blog. Aproveite para já conferir o artigo que produzimos com dicas valiosas para uma boa organização financeira. Até a próxima!

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