Saiba o que é gestão de resíduos e como promover o desenvolvimento sustentável!

Aqui você verá o conceito de gestão de resíduos, a importância de controlá-los, e qual é papel das corporações na preservação!
gestão de resíduos: funcionário em local de reciclagem

Uma das grandes preocupações atuais da sociedade — seja em nível pessoal, empresarial ou governamental — é com a proteção e preservação da natureza. Visto que há muito tempo o equilíbrio ambiental do planeta vem sofrendo ataques, sob a justificativa de um melhor desenvolvimento econômico. 

Para contornar essa realidade, a gestão de resíduos é uma das maneiras mais eficientes de fomentar um desenvolvimento com sustentabilidade.

Preparamos este material para falar sobre esse tema, que, além de extenso, tem gerado muito interesse por parte das empresas. Aqui você verá o conceito de resíduos, sua gestão, a importância de controlá-los, além de compreender qual é papel das corporações na preservação. 

O que é gestão de resíduos?

A gestão de resíduos é o conjunto de práticas e estratégias para que se realize o melhor manejo possível de resíduos, sejam eles sólidos, líquidos ou gasosos. Incluindo uma série de ações e etapas, esse gerenciamento passa por cuidados no(a):

  1. uso;
  2. separação;
  3. coleta;
  4. transporte;
  5. armazenamento;
  6. tratamento;
  7. descarte; e
  8. destinação.

Diante de todos os problemas que esses resíduos podem causar, para a natureza e para a saúde das pessoas, é interessante que as empresas — e outros agentes envolvidos nesta missão — entendam quais são prioridades. Deste modo, é interessante seguir a seguinte ordem:

  1. não gerar resíduos;
  2. criar meios de reduzir sua geração;
  3. reutilizar o que foi criado;
  4. reciclar o que não pode ser reutilizado; 
  5. tratar os resíduos para que afetem menos a natureza; e
  6. descartar de forma adequada ao meio ambiente.
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Mas afinal, o que são resíduos e quais seus impactos?

Resíduos, popularmente conhecidos como lixo, são todos aqueles materiais que sobram após serem utilizados de alguma forma. Dizem respeito ao que é descartado, rejeitado ou deixado para trás como resultado de atividades humanas ou processos naturais. 

Idealmente, esses resíduos devem ser reaproveitados, sendo reutilizados, das mais variadas formas possíveis, para novos objetivos. Quando esses produtos não podem ser reaproveitados ou reciclados, seja por sua composição, estado ou viabilidade financeira, dizemos que eles se tornam rejeitos.

Esses materiais podem variar em sua composição, origem e periculosidade, incluindo desde restos de alimentos e produtos de consumo, até materiais industriais, produtos químicos, resíduos de construção e muito mais. Falando em sua classificação, eles podem ser agrupados das seguintes formas:

Classificação por composição

Podem ser divididos, aqui, de duas formas. A primeira diz respeito ao seu estado físico, sendo assim:

  • líquidos, conhecidos como efluentes;
  • gasosos, sendo vapores ou gases; e
  • sólidos, que são os mais conhecidos e produzidos na maioria dos processos, os resíduos sólidos.

Na segunda forma, eles são classificados de acordo com sua capacidade de decomposição. São eles:

  • resíduos biodegradáveis, que são decompostos com o tempo, também conhecidos como úmidos; e
  • resíduos não-biodegradáveis, que não se decompõem por si próprios, cabendo a eles a reciclagem e a reutilização. São também conhecidos como secos, sendo os maiores poluentes.

Leia também: Guia completo sobre Licenciamento Ambiental

Classificação por origem

Quanto à origem, a classificação é uma só, porém, esses resíduos podem vir dos lugares mais variados, que, em geral, influenciam bastante em sua quantidade, prejuízo à natureza e, consequentemente, nas formas de tratamento. Veja a seguir os quatro tipos:

  • Resíduos domésticos: são gerados nas casas e residências, geralmente sólidos e líquidos. Criados em atividades familiares, principalmente com a alimentação, podem ser reciclados de forma individual ou ter outra destinação, a depender de programas mais complexos.
  • Resíduos industriais: são aqueles produzidos em fábricas e indústrias, variando tanto em sólidos e líquidos quanto em gasosos. Com uma produção maior e com mais condições e obrigações, muitas empresas cuidam de seus próprios resíduos e liberam seus efluentes já tratados na natureza.
  • Resíduos comerciais: são os gerados em atividades comerciais variadas e em escolas, faculdades e escritórios. Geralmente são sólidos e líquidos, mas, dependendo da atividade, também podem produzir gases e vapores, como por exemplo os restaurantes.
  • Resíduos agrícolas: são produzidos em atividades agrícolas e agropecuárias, também variando entre os três estados físicos. Os principais exemplos são agrotóxicos, defensivos agrícolas, dejetos de animais, pesticidas e produtos fitossanitários.

Classificação por periculosidade

Por fim, temos a classificação por periculosidade, que nada mais é do que a avaliação dos riscos destes resíduos para a natureza e para a saúde. Eles podem ser perigosos ou não perigosos, sendo o segundo tipo dividido em dois subgrupos. Confira:

  • Resíduos Classe I (Perigosos): de acordo com suas propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas, apresentam riscos à saúde pública e/ou ao meio ambiente. Eles podem ser tóxicos, perigosos, patogênicos, inflamáveis, corrosivos e reativos.
  • Resíduos Classe II (Não Perigosos): são os que não oferecem risco à natureza e à saúde pública, divididos em Classe II A e II B. 

Os primeiros são os inertes, que não diluem ou reagem em contato com a água. Já os segundo são os não inertes, que apresentam comportamento contrário, portanto, diluem ou reagem em contato com a água. 

Como funciona a gestão de resíduos?

A gestão de resíduos é um processo complexo, que envolve diversas etapas e abordagens para minimizar o impacto ambiental destes materiais gerados pelas atividades humanas. Confira a seguir uma visão geral das etapas de seu funcionamento:

Redução na Fonte

A primeira e mais eficaz etapa é a redução na fonte, também conhecida como “prevenção de resíduos”. Isso envolve a adoção de práticas que minimizam a quantidade de resíduos gerados, como evitar o desperdício e adotar o princípio dos 5 Rs: repensar, reduzir, reutilizar, reciclar e recusar.

Coleta e Transporte

É preciso ter um cuidado com a coleta, para que ela seja feita sem prejudicar os materiais e já pensando em sua separação por tipo. Após isso, os resíduos são transportados para instalações de tratamento, reciclagem ou eliminação final.

Leia também: Entenda tudo sobre a crise ambiental, o desenvolvimento sustentável e a regulação jurídica do Meio Ambiente

Reutilização

Antes de descartar, muitos itens podem ser reutilizados para um propósito semelhante ou diferente. Esses materiais podem ser reaproveitados dentro da própria empresa ou, se for o caso, por parceiros que realizam este trabalho.

Reciclagem

Materiais recicláveis, como papel, plástico, vidro e metal, são separados, coletados e processados para serem transformados em novos produtos. Essa prática ajuda a economizar recursos naturais, dando um caráter cíclico a eles.

Tratamento

Resíduos perigosos ou não recicláveis podem exigir tratamentos especiais, como incineração controlada para reduzir o volume e destruir substâncias nocivas. No caso de resíduos orgânicos, compostagem é uma opção para transformá-los em adubo.

Disposição Final

Quando todas as outras opções são esgotadas, alguns resíduos não podem ser reciclados ou tratados e precisam ser dispostos de forma adequada. Isso, geralmente, envolve aterros sanitários projetados para minimizar a contaminação do solo e da água subterrânea.

Conheça o panorama atual da gestão de resíduos

Atualmente, os cuidados com o meio ambiente vêm ganhando espaço na sociedade, influenciando uma melhor gestão de resíduos. Apesar de estarmos longe do ideal, alguns debates e práticas têm vindo à tona.

Um dos pontos que tem sido bem considerados é a Economia Circular, que reaproveita os resíduos, em vez de simplesmente descartá-los. Assim, há menos desperdício e necessidade de utilização de matéria-prima virgem.

Outro ponto importante tem sido a importância dada à legislação e regulamentação por alguns governos, se tornando mais rigorosos com a questão. A Organização das Nações Unidas (ONU) também tem colocado a pauta na ordem do dia, principalmente quando falamos de redução de resíduos sólidos.

A tecnologia associada ao meio ambiente é outro ponto em alta, afinal, surgem novos recursos para lidar com os resíduos, incluindo a automação de processos de triagem e reciclagem e a utilização de inteligência artificial para o criar de soluções mais eficazes. 

De outro lado, há um aumento na produção de dispositivos eletrônicos, que traz um debate sobre como reciclá-los.

Por fim, tem aumentado a conscientização sobre os problemas associados ao uso excessivo de plásticos descartáveis. Tem sido reduzido a utilização de sacolas, canudos e talheres de uso único.

Qual a importância da gestão de resíduos para as empresas?

Reduzir os rejeitos é importante para todos, afinal, precisamos do meio ambiente para viver e também para produzir. Entretanto, as empresas contam com motivos específicos para ter uma gestão de resíduos. Confira:

Redução de custos e desperdícios

Com procedimentos que diminuem os desperdícios, as empresas conseguem reaproveitar os materiais, tendo um custo menor. Neste ponto, ainda é possível ganhar com a venda de materiais reciclados.

Boa imagem na sociedade

Com uma preocupação grande da sociedade com a proteção ambiental, a gestão de resíduos traz uma imagem positiva para os negócios. Atualmente, as pessoas têm avaliado as iniciativas das empresas para escolhê-las, procurando aquelas com responsabilidade social corporativa

Legislações ambientais

Há algumas leis ambientais que devem ser observadas, por mais que existam problemas com a aplicação e fiscalização delas. A gestão de resíduos é um passo fundamental para que essas normas sejam cumpridas.

Qual o papel das empresas e governos na promoção da gestão sustentável de resíduos?

Se o cuidado com o meio ambiente é um dever compartilhado, a gestão de resíduos não pode ser diferente. Neste sentido, as empresas têm um papel fundamental, pois são parte do problema e possuem meios eficazes para contorná-lo.

Os governos também compartilham essa obrigação das empresas, devendo estar na frente da gestão sustentável de resíduos. Além dos motivos aplicados às empresas, o poder público ainda tem a capacidade de conscientizar a população e estabelecer normas para fortalecer a pauta.

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei 12.305, de 2010 – são responsáveis por estabelecer um plano de gerenciamento destes materiais aqueles(as):

  • geradores de resíduos de serviços públicos de saneamento básico;
  • geradores de resíduos industriais;
  • geradores de resíduos de serviços de saúde;
  • geradores de resíduos de mineração;
  • estabelecimentos comerciais que geram resíduos perigosos;
  • empresas de construção civil;
  • terminais ou outras instalações de serviços de transporte;
  • atividades agrossilvopastoris, se exigido.

Leia também: O que é compliance ambiental? Confira 5 benefícios de sua implementação 

Quais são os Desafios e barreiras na implementação eficaz da gestão de resíduos?

A implementação eficaz da gestão de resíduos enfrenta diversos desafios e barreiras, começando pela falta de conscientização pública sobre práticas adequadas de descarte de resíduos. 

Além disso, falta infraestrutura e investimentos suficientes em sistemas de coleta, transporte e tratamento de resíduos, que dificultam sua implementação massiva.

As desigualdades socioeconômicas também são uma barreira, pois comunidades carentes muitas vezes têm acesso limitado a serviços de gestão de resíduos adequados. 

Com pouca regulamentação e fiscalização eficaz, o descarte impróprio é realizado, resultando em poluição ambiental. Outro desafio é a gestão de resíduos industriais e perigosos, que precisam de tratamentos especializados e possuem o risco de contaminação. 

Somado a isso, esses materiais podem acabar sendo enviados ilegalmente e ser descartados de maneira inadequada em países em desenvolvimento. Há ainda a resistência à mudança por parte de indústrias que contam com práticas insustentáveis, sem avaliar o risco ambiental. 

Em resumo, a implementação bem-sucedida da gestão de resíduos requer uma combinação de conscientização, investimento em infraestrutura, regulamentação rigorosa e colaboração entre governos, empresas e comunidades.

Veja o futuro da gestão de resíduos e seu alinhamento com as metas ESG

O futuro da gestão de resíduos está cada vez mais alinhado com as metas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), refletindo uma crescente ênfase na sustentabilidade e responsabilidade corporativa. 

As empresas estão reconhecendo a importância de adotar práticas mais eficientes e ambientalmente conscientes, capazes de enfrentar os desafios globais.

A incorporação de metas ESG impulsiona a busca por soluções que trazem inovação, como a implementação de modelos de economia circular que promovem a reutilização e reciclagem de materiais. 

Isso não apenas reduz o impacto ambiental, mas também fortalece a reputação das empresas e atrai investidores preocupados com critérios sustentáveis.

A tecnologia desempenha um papel crucial no futuro da gestão de resíduos, permitindo a automação de processos, monitoramento em tempo real e análises de dados para otimizar a eficiência. 

A rastreabilidade dos resíduos também se torna mais importante, garantindo que eles sejam tratados de forma apropriada e responsável.

Em termos sociais, a gestão de resíduos responsável contribui para comunidades mais saudáveis. Por outro lado, a governança eficaz garante a conformidade com regulamentos e normas.

À medida que a conscientização pública e a pressão por ações sustentáveis aumentam, o gerenciamento destes materiais se torna um componente fundamental das estratégias empresariais voltadas para o futuro, impulsionando não apenas a redução do impacto ambiental, mas também a criação de valor social e econômico.

Esperamos que você tenha visto a importância da gestão de resíduos e coloque essa prática em seu cotidiano. Para aprofundar nesta área, veja como mensurar o desempenho de uma empresa com o Relatório de Sustentabilidade!

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