Ansiedade: o que é, quais são suas causas, sintomas e tratamento

Ansiedade: mulher contemplativa

O Brasil vive uma crise de saúde mental. De acordo com dados coletados em 2024 pelo Instituto Cactus, em parceria com a AtlasIntel, revelam que 68% dos brasileiros relatam sentir ansiedade. Em um ranking mundial, o país ocupa a maior proporção de pessoas ansiosas no mundo, correspondendo a 9,3% da população global.

Apesar dos números alarmantes, a maioria das pessoas que convivem com a ansiedade não busca ajuda profissional. Parte disso acontece porque muitos ainda não compreendem exatamente o que é a ansiedade e quando ela deixa de ser uma reação comum para se tornar um problema que merece atenção.

Afinal, a ansiedade é uma emoção humana universal, que se caracteriza por sentimentos de preocupação, medo e apreensão, geralmente despertados em situações de incerteza ou pressão. Em dado momento, todos nós vamos senti-la

Porém, ainda que seja uma reação natural e em alguns casos útil, nos preparando para enfrentar desafios. A ansiedade também pode se tornar um problema, quando em proporção excessiva, se transformando em transtorno.  

Quando isso acontece, ela deixa de ser apenas uma emoção passageira e passa a interferir no funcionamento do dia a dia. O excesso de preocupação pode afetar o sono, o humor, a concentração e até mesmo as relações interpessoais, comprometendo a qualidade de vida. Com o tempo, esses impactos podem se acumular e gerar ainda mais desgaste emocional, criando um ciclo de tensão e preocupação constante.

Por isso, se você quer entender melhor o que é a ansiedade, conhecer seus sintomas mais comuns e descobrir quais caminhos podem ajudar no tratamento e no controle desse quadro, continue lendo este texto.

O que é ansiedade?

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o Transtorno de Ansiedade Generalizado demanda uma série de critérios para ser diagnosticado. De modo geral, no entanto, ele se caracteriza pela preocupação excessiva ou expectativa apreensiva, persistente e de difícil controle.

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Ansiedade normal x transtorno de ansiedade: qual a diferença?

É importante destacar que sentir ansiedade em determinados momentos não significa, necessariamente, ter um transtorno. Em situações cotidianas de estresse, insegurança ou expectativa, como uma prova, uma entrevista de emprego ou uma decisão importante, é natural que essa emoção apareça como um mecanismo de alerta do organismo.

No entanto, quando esses sentimentos se tornam desproporcionais à situação, frequentes e difíceis de controlar, podem indicar a presença de um transtorno de ansiedade. Nesses casos, a preocupação constante passa a gerar sofrimento psicológico e interfere na rotina, no trabalho, nos estudos e nas relações pessoais.

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de Ansiedade Generalizada é classificado como uma condição de saúde mental pelo CID F41 e seu diagnóstico deve ser realizado por um médico especialista, como o psiquiatra. Psicólogos também podem identificar sinais e orientar a busca por uma avaliação clínica adequada.

Nos últimos anos, a procura por cuidados em saúde mental tem crescido de forma expressiva no Brasil. Um levantamento da Doctoralia mostra crescimento de 18,5% nas consultas em psicologia e psiquiatria durante este período.

Diante desta realidade, é importante não ignorar os sinais. Caso você perceba sintomas persistentes ou sinta que a ansiedade tem afetado sua rotina, o mais indicado é buscar apoio profissional o quanto antes.

Vale lembrar que o transtorno de ansiedade não tem cura, mas possui tratamento. Com acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar sua qualidade de vida.

Quem pode ter Ansiedade?

A ansiedade pode afetar qualquer pessoa, independentemente da idade, já que é uma condição influenciada por diferentes fatores, como predisposição genética, alterações hormonais e aspectos do ambiente, entre eles o estresse e experiências traumáticas.

Além disso, dados da pesquisa Covitel apontam que a prevalência de ansiedade é maior entre as mulheres: 34,2% relatam sintomas do transtorno, enquanto entre os homens o índice é de 18,9%.

Em relação à faixa etária, a ansiedade pode surgir em diferentes momentos da vida, atingindo não apenas adultos e jovens adultos, mas também crianças e pessoas idosas. Por isso, é importante estar atento aos sinais em cada fase.

No caso das crianças, essa atenção é ainda mais necessária. Quando são muito pequenas e ainda não conseguem expressar claramente o que estão sentindo, a ansiedade pode aparecer por meio de comportamentos como irritação, birras ou choro frequente, que funcionam como formas de manifestar o desconforto emocional

Quais são os sintomas da ansiedade?

Apesar de ser uma doença bastante comum, os sintomas da ansiedade variam muito de pessoa para pessoa. Por isso, não é possível delimitar de forma absoluta como esse transtorno pode se manifestar em cada um.

De modo geral, porém, as manifestações costumam aparecer em diferentes dimensões do funcionamento humano, envolvendo reações físicas, comportamentais, cognitivas e sociais. Conheça algumas:

1. Reações físicas

A ansiedade pode provocar diversas alterações no organismo. Entre as mais comuns estão taquicardia, pressão alta, sensação de “nó” no estômago, falta de ar, boca seca e sudorese excessiva. Também podem surgir náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, zumbidos nos ouvidos, tonturas ou vertigens e dores nas costas.

Algumas pessoas relatam ainda sensação de aumento de temperatura corporal (conhecida como “febre emocional”), além de alterações como bexiga hiperativa, queda de cabelo, surgimento ou agravamento de problemas de pele, mudanças no apetite e no peso, alterações no ciclo menstrual e unhas mais quebradiças.

2. Reações comportamentais

No comportamento, a ansiedade pode aparecer por meio de tremores, irritabilidade, estado constante de alerta e tensão muscular, especialmente na região da mandíbula. Também são comuns bloqueios ou sensação de paralisação diante de determinadas situações, alterações no tom de voz, agitação ou hiperatividade motora e hábitos repetitivos, como roer as unhas.

3. Reações cognitivas

A ansiedade também interfere na forma como a pessoa pensa e processa as informações. É comum haver preocupação excessiva ou persistente, pensamentos negativos intrusivos e dificuldade de concentração. Problemas relacionados ao sono, como insônia ou despertares frequentes durante a noite, também podem ocorrer, além de alterações de memória, maior sensibilidade emocional e vontade frequente de chorar.

4. Reações sociais

No âmbito social, o transtorno pode dificultar iniciar ou manter conversas, expressar opiniões ou dizer “não” quando necessário. Muitas pessoas passam a apresentar preocupação excessiva com a opinião dos outros, além de comportamentos de evitação, tentando não chamar atenção ou preferindo se manter mais afastadas de interações sociais.

Esses sinais podem aparecer de forma isolada ou combinada e variar em intensidade. Quando são frequentes e passam a interferir na rotina e no bem-estar, é importante buscar avaliação e orientação profissional.

Quais são as principais causas da Ansiedade?

Como já mencionado, a ansiedade pode surgir por diferentes motivos, e nem sempre a pessoa consegue identificar com clareza a origem da angústia ou da insegurança que sente. Esse mal-estar pode ser desencadeado tanto por estímulos internos (endógenos) quanto por estímulos externos (exógenos).

Os fatores endógenos estão relacionados a aspectos biológicos do indivíduo, como a predisposição genética (hereditariedade) ou alterações no funcionamento do organismo, como mudanças hormonais ou o desenvolvimento de determinadas doenças.

Já os fatores exógenos estão associados às experiências e acontecimentos ao longo da vida. Eles podem envolver questões pessoais (dúvidas relacionadas à identidade, crenças ou estilo de vida), familiares (conflitos ou perdas), relacionais (divórcios ou mudanças nas relações), profissionais (possibilidade de desemprego, pressão no trabalho ou mudanças de carreira) e sociais (alterações na condição socioeconômica ou no contexto em que a pessoa vive).

Além disso, hábitos de consumo também podem influenciar o surgimento ou o agravamento de episódios de ansiedade. Substâncias que alteram o estado de consciência, como bebidas alcoólicas e outras drogas, podem intensificar sintomas e favorecer o desenvolvimento de quadros ansiosos.

Esse tema tem ganhado cada vez mais atenção porque a ansiedade é uma condição bastante frequente na população. Dados do inquérito nacional Covitel indicam que 26,8% dos brasileiros já receberam diagnóstico médico de ansiedade, sendo a prevalência maior entre jovens de 18 a 24 anos (31,6%) e entre mulheres (34,2%).

Como saber se estou tendo uma crise de ansiedade?

Para as pessoas que já lidam com alguns dos sintomas do transtorno de ansiedade, mas ainda não foram diagnosticadas com ele, pode ser difícil identificar quando uma crise de ansiedade está acontecendo. A melhor maneira de saber é conhecendo os sintomas da ansiedade e ficando alerta às situações em que eles se manifestam.

Na crise de ansiedade, é comum que um ou mais sintomas se apresentem de maneira abrupta, interrompendo uma atividade cotidiana ou o fluxo de pensamento da pessoa. Alguns dos sintomas mais comuns são:

  • Batimentos acelerados;
  • Dificuldade para respirar;
  • Sensação de desmaio ou pressão baixa;
  • Suor excessivo;
  • Náusea.

Na crise de ansiedade, pode ser difícil para a pessoa controlar ou mesmo identificar os seus sentimentos de maneira exata. Por isso, se você estiver perto de pessoas que conhece e confia, peça ajuda e explique o que você acha que pode estar acontecendo.

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Qual o tratamento da Ansiedade?

A ansiedade pode se manifestar de diferentes formas e ter origens variadas. Por isso, não existe um único caminho para controlá-la, mas sim diferentes abordagens que devem ser avaliadas de acordo com as características de cada pessoa.

Entre as principais formas de tratamento e manejo da ansiedade, destacam-se:

  • Mudanças nos hábitos do dia a dia: ajustes na rotina, melhora da qualidade do sono, prática de atividades físicas e redução de fatores de estresse podem ajudar a diminuir os sintomas;
  • Psicoterapia: o acompanhamento psicológico auxilia na compreensão da origem da ansiedade e no desenvolvimento de estratégias para lidar com situações que desencadeiam ou intensificam os sintomas;
  • Uso de medicamentos: em alguns casos, podem ser prescritos ansiolíticos ou benzodiazepínicos (calmantes) para aliviar sintomas mais intensos. No entanto, esses medicamentos apresentam risco de dependência e devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico.
  • Terapia combinada: quando a medicação é necessária, o ideal é que ela seja associada à psicoterapia, já que os medicamentos atuam principalmente no alívio dos sintomas, enquanto a terapia ajuda a tratar as causas e desenvolver formas de enfrentamento.
  • Suplementação de vitaminas: déficits de vitaminas do complexo B têm sido associados a quadros de ansiedade e depressão. Nesses casos, a suplementação pode ajudar, mas deve ocorrer apenas quando houver deficiência comprovada e com orientação médica.
  • Melhora da qualidade do sono: dificuldades para dormir podem agravar a ansiedade. Em casos de insônia, a melatonina, hormônio que regula o ciclo do sono, pode auxiliar na melhora do descanso e, consequentemente, na redução dos sintomas ansiosos.

Embora a ansiedade faça parte da experiência humana, quando seus sintomas se tornam frequentes ou intensos e começam a interferir na rotina, é importante buscar apoio profissional.

Com o acompanhamento adequado e estratégias de cuidado, é possível compreender melhor o problema, reduzir os sintomas e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com as situações que geram ansiedade.

Livros sobre ansiedade para se aprofundar no tema

Se você deseja compreender melhor a ansiedade e aprender formas de lidar com ela no dia a dia, a leitura pode ser uma grande aliada.

Diversos especialistas têm se dedicado a explicar as causas, os sintomas e as estratégias de enfrentamento desse transtorno, tornando o tema mais acessível ao público.

A seguir, reunimos alguns dos melhores livros para entender a ansiedade e aprofundar seu conhecimento sobre o assunto.

1. Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século

Na era dos excessos, a mente humana é sobrecarregada e a saúde emocional é afetada. Nesta segunda edição do livro, Dr. Augusto Cury explora a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) e oferece técnicas para recuperar o equilíbrio mental e emocional.

2. Ansiedade Digital: Como Enfrentar o Mal do Milênio 

Ansiedade: capa de livro

Vivemos hoje um processo de adoecimento coletivo impulsionado pela intoxicação digital. Neste livro, Augusto Cury propõe reflexões importantes sobre esse fenômeno e apresenta caminhos para compreender e enfrentar a chamada ansiedade digital, considerada por muitos um dos grandes males do nosso tempo.

3. Intoxicação Digital

Ansiedade: capa de livro



O uso excessivo de celulares e redes sociais está causando sérios danos mentais, comparáveis à dependência química. No livro Intoxicação digital, Augusto Cury oferece ferramentas para combater esses efeitos.

4. Mundo Filtrado: Por que Tudo Parece Igual na Era dos Algoritmos?

Ansiedade: capa de livro

As recomendações algorítmicas têm moldado nossas escolhas e nossa cultura. Em Mundo Filtrado, Kyle Chayka mostra como essa curadoria invisível invade todos os espaços.

Neste livro, você entenderá mais sobre o que o autor chama de “mundo filtrado”: essa curadoria invisível feita por equações que está se infiltrando cada vez mais nos nossos espaços digitais, físicos e psicológicos. Será que é possível se libertar? Este livro defende que sim.

Esperamos que tenha gostado deste post sobre ansiedade. Que tal aproveitar e conferir também nossa curadoria de livros para ansiedade?

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