Confira o que é inteligência emocional, quais são seus pilares e como desenvolver!

Você sabe o que é inteligência emocional? Que tal entender a importância e os pilares desta soft skill, além de como desenvolvê-la? Continue a leitura!
Inteligência emocional: imagem de mulher refletindo

A inteligência emocional (IA) tem se tornado tão valorizada no mercado de trabalho – e em diferentes contextos sociais – que alguns especialistas já colocam a sua medida, o Quociente Emocional (QE), acima do Quociente de Inteligência (QI), para a indicação de um profissional de sucesso.

Quando bem trabalhada, esta habilidade ajuda a trazer maior equilíbrio para aqueles que a exercitam. Isso porque permite que as pessoas gerenciem melhor as suas emoções e a forma de agir a partir delas

Que tal entender a importância e os pilares desta soft skill, além de como desenvolvê-la? Continue a leitura!

O que é inteligência emocional?

A inteligência emocional é a capacidade de identificar e lidar com emoções e sentimentos, tanto pessoais quanto de outras pessoas. Está relacionada à forma como alguém compreende, processa e gerencia aquilo que se sente.

Na era digital em que vivemos, as competências técnicas vêm sendo, em parte, supridas pelos avanços tecnológicos, como a inteligência artificial e o machine learning. 

Diante disso, cresce a valorização das habilidades comportamentais no profissional do futuro. As chamadas soft skills são determinantes para pessoas que almejam ocupar determinadas posições, como cargos de liderança.

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12 domínios para alcançar a inteligência emocional

O psicólogo, escritor e PhD da Universidade de Harvard, Daniel Goleman, foi o responsável por popularizar o conceito de inteligência emocional. O seu best-seller sobre o assunto teve mais de cinco milhões de cópias vendidas no mundo, além de tradução para 40 idiomas. Desde então, instituições acadêmicas e midiáticas começaram a se voltar mais ao tema.

O psicólogo descreve a inteligência emocional como a capacidade de uma pessoa de gerenciar os próprios sentimentos, de maneira que eles sejam expressos de forma apropriada e eficaz. Goleman acredita que o controle das emoções é fundamental para o desenvolvimento da inteligência de um indivíduo.

Ele identifica 12 domínios como sendo os principais para que se alcance a inteligência emocional, sendo eles:

  1. Autoconhecimento emocional;
  2. Autocontrole emocional;
  3. Adaptabilidade;
  4. Orientação para realização;
  5. Perspectiva positiva;
  6. Empatia;
  7. Consciência organizacional;
  8. Influência;
  9. Coach e mentoria;
  10. Administração de conflitos;
  11. Trabalho em equipe;
  12. Liderança inspiradora.

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O que é o quociente emocional?

O quociente emocional mensura o nível de inteligência emocional de uma pessoa.

Portanto, ele está relacionado à nossa capacidade de adaptação a mudanças e ao nosso controle emocional, no que diz respeito aos nossos sentimentos e emoções. Também é capaz de medir a nossa capacidade de receber com empatia a emoção de outras pessoas.

Segundo Daniel Goleman, o QE tem 80% de influência em nosso sucesso, enquanto os 20% remanescentes ficam por conta do QI. Nesta perspectiva, o quociente emocional tem maior impacto em nossa carreira do que as hard skills (ou o conhecimento técnico) que desenvolvemos.

Vale pontuar, contudo, que o QI e o QE se complementam. Enquanto o primeiro está relacionado à nossa habilidade de processar informações, o segundo liga-se à forma com que controlamos as emoções que sentimos.

Ou seja, o sucesso de um profissional está necessariamente conectado ao seu nível de inteligência emocional.

Valorização das soft skills

A inteligência emocional se tornou uma soft skill estratégica no mercado de trabalho. No universo da gestão de pessoas, as soft skills são compreendidas como habilidades comportamentais ou interpessoais, ao contrário das hard skills, que são as habilidades técnicas de que falamos acima. 

Ao Valor Econômico, o psiquiatra Guilherme Spadini explicou que as soft skills envolvem competências que não são específicas de um trabalho ou expertise específicos.

“No fundo, são as habilidades emocionais. É saber lidar com pessoas, ter boa capacidade de liderança, resiliência, lidar com emoções no trabalho. Soft skills são úteis no dia a dia e servem para qualquer coisa que o profissional for fazer – seja no trabalho, seja na sua vida pessoal”, argumentou.

O Fórum Econômico Mundial vem questionando, há seis anos, empregadores do mundo todo sobre quais habilidades eles consideram cruciais em sua força de trabalho, não importa o cargo ou expertise técnica do profissional.

Ao longo dos anos, começaram a despontar com força habilidades como inteligência emocional, autogestão, capacidade de aprender sempre, resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade cognitiva.

Elas estão relacionadas à maneira rápida com que o mundo dos negócios vem mudando, assim como à automação nos processos produtivos e ao avanço tecnológico na vida das pessoas.

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Habilidades mais buscadas em países latinoamericanos

O levantamento Habilidades 360º, produzido pela Page Groug, em conjunto com todas as suas marcas, indicou as competências mais valorizadas pelos países latinoamericanos. No Brasil, as três habilidades emocionais mais votadas foram:

  1. Inteligência emocional (42,9%);
  2. Trabalho em equipe (38,4%);
  3. Comunicação assertiva (32,1%).

Tais aptidões são valorizadas também pelos demais países ouvidos. Na América Latina, mais de 60% dos executivos entrevistados indicaram que o trabalho em equipe, a inteligência emocional e a comunicação assertiva são as habilidades sociais que mais valorizam, seguidas por liderança e resolução de conflitos.

O estudo, realizado em 2020, contou com a participação de mais de três mil executivos com cargos de gestão no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México.

Quais são os tipos de inteligência?

Por muito tempo, o Quociente de Inteligência foi o único parâmetro utilizado para mensurar a inteligência de uma pessoa. O QI está ligado à capacidade intelectual de um indivíduo com base em critérios de referência e comparações. Estabelece uma relação entre a idade mental e cronológica de um indivíduo.

Isso significa que o QI demonstra um conjunto de habilidades mentais, verbais e lógico-matemáticas relevantes para o contexto das sociedades globalizadas e urbanas. Ou seja, uma pessoa com um alto QI pode não ser considerada inteligente em determinados contextos, como na visão de um grupo de aborígenes que vive em uma região remota.

Em contrapartida a esta teoria que sugere uma inteligência única, o psicólogo cognitivo e educacional estadunidense Howard Gardner criou a teoria das inteligências múltiplas.

Ele concluiu, a princípio, que há sete tipos de inteligência.

  1. Lógico-matemática: capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções;
  2. Linguística: habilidade de aprender idiomas e usar a fala e a escrita para alcançar objetivos;
  3. Espacial: potencial para reconhecer e agir sobre situações que envolvam apreensões visuais;
  4. Físico-cinestésica: disposição para usar o corpo a fim de solucionar problemas ou desenvolver produtos;
  5. Interpessoal: capacidade de entender as intenções e desejos dos outros e de se relacionar de forma positiva com a sociedade;
  6. Intrapessoal: inclinação para se conhecer e usar este autoconhecimento para alcançar determinados fins;
  7. Musical: aptidão para tocar, compor e apreciar padrões musicais.

Mais para frente, Gardner somou à lista a inteligência natural (reconhecer e classificar espécies da natureza) e a inteligência existencial (refletir sobre questões fundamentais da vida humana). Além disso, sugeriu o agrupamento da interpessoal e da intrapessoal.

Para o especialista, cada pessoa nasce com um vasto potencial de talentos ainda não moldado pela cultura, o que só começa a acontecer por volta dos cinco anos de idade. A educação recebida e as oportunidades encontradas levam os indivíduos a desenvolverem capacidades inatas.

Assim, a inteligência emocional está mais intimamente relacionada às inteligências interpessoal e intrapessoal. Isto é, liga-se às habilidades de relacionamento e autoconhecimento.

Qual a importância da inteligência emocional?

Segundo o autor Luciano Leite, a partir da inteligência emocional, é possível: 

  • Reconhecer vontades e necessidades não atendidas; 
  • Interpretar sonhos e sentimentos inconscientes; 
  • Entender e administrar as próprias emoções; 
  • Perceber a diferença entre sentimentos contraditórios; e 
  • Reconhecer intuições e sentimentos reprimidos. 

“…a inteligência emocional está relacionada a um elevado conhecimento intrapessoal e à habilidade nos relacionamentos interpessoais. Pessoas com inteligência emocional elevada costumam obter melhores resultados em suas relações pessoais e profissionais”, explica o autor

No livro Psicologia Comportamental (Série Eixos), Leite indica que, entre as principais características dessas pessoas, estão: 

  1. Perceber o que está sentindo e porque está sentindo; 
  2. Facilidade em relacionar-se e interpretar emoções nos outros; 
  3. Capacidade de lidar com pressão e superar situações frustrantes; 
  4. Conseguir se automotivar e, ao mesmo tempo, inspirar os outros; 
  5. Saber ouvir, comunicar-se de forma assertiva e usar de empatia; 
  6. Conseguir reconhecer as fraquezas e potencialidades.

Já na obra Viva Sem Desculpas – Inteligência Emocional e Agilidade trabalhando a seu favor, a autora Juliane Camargos explica que ganhamos um poder muito forte diante das situações a serem superadas quando há um equilíbrio entre as nossas escolhas e as nossas emoções

Segundo ela, a razão para isso é deixarmos de enxergar os problemas como meros problemas e passarmos a vê-los como obstáculos necessários ao nosso próprio crescimento e desenvolvimento. 

Indo além, a autora explica que desenvolver inteligência emocional não implica em deixar de sentir alguma emoção, mas saber como se posicionar frente àquilo que sentimos.

Afinal, o que são sentimentos e emoções?

A inteligência emocional está relacionada à nossa capacidade de identificar o que sentimos e entender como as nossas emoções e sentimentos estão ligadas aos estímulos externos que recebemos do ambiente ao redor.

Quando pensamos em inteligência emocional, é comum conectarmos este conceito a identificação e controle das emoções. Ao mesmo tempo, temos a tendência de pensar em emoções como sinônimos de sentimentos.

No entanto, é necessário que se compreenda a diferença entre os dois, que você verá a seguir!

Emoção

A emoção consiste na resposta do nosso corpo a um determinado estímulo externo. Ela promove mudanças rápidas em nossos corpos a partir de uma ameaça ou recompensa, por exemplo.

Trata-se de reações em nosso estado bioquímico, que são desencadeadas pela amígdala, uma parte bem pequena da região subcortical de nosso cérebro.

Físicas e pautadas no instituto, as emoções são predecessoras dos sentimentos. Isto é, elas vêm antes deles.

Sentimento

Enquanto a emoção é uma reação, o sentimento é uma construção. Os sentimentos são associações mentais realizadas a partir de uma emoção. Eles são influenciados pela bagagem de uma pessoa, ou seja, as suas crenças e memórias.

Deste modo, os sentimentos variam de uma pessoa para outra, de acordo com as experiências e situações vividas por cada uma. Eles são desencadeados por emoções, mas moldados a partir de pensamentos, memórias e até imagens que relacionamos àquela emoção em particular.

Qual a relação entre autoconhecimento e inteligência emocional?

Não há como pensarmos no desenvolvimento da inteligência emocional sem que passemos pelo conceito de autoconhecimento.

No livro Psicologia Comportamental (Série Eixos), o autor Luciano Leite fala sobre a importância do autoconhecimento para que um profissional tenha um entendimento mais aprofundado da própria personalidade, assim como de suas competências e potencialidades. 

Entre as táticas para que um profissional exercite o autoconhecimento, o autor cita entrevistas com líderes e colegas de trabalho, testes psicológicos, questionários relativos à personalidade e às atividades desempenhadas, além da participação do profissional em sessões de terapia.

Segundo o autor, os principais temas que tais reflexões produzem são:

  1. Visão de mundo e perspectivas quanto ao futuro; 
  2. Identificação das características que a pessoa admira em si mesma; 
  3. Identificação do que traz prazer, alegria e felicidade no trabalho e no cotidiano; 
  4. Identificação de fraquezas, potencialidades e pontos de melhoria; 
  5. Quais são os objetivos de vida, as crenças e os valores da pessoa; 
  6. Sentimento em relação ao trabalho atual, importância e significado; 
  7. Formulação de metas em relação aos objetivos para a vida e a carreira; 
  8. Desenvolvimento de um plano objetivo e detalhado a ser seguido. 

A ideia é que, ao fim do processo de busca pelo autoconhecimento, o profissional consiga reconhecer as suas qualidades e virtudes em prol da própria carreira. 

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Inteligência emocional e qualidade de vida no trabalho

A inteligência emocional é um dos aspectos-chave para que se conquiste qualidade de vida no trabalho. Isso porque administrar as próprias emoções de maneira eficaz ajuda o profissional a não se deixar impactar por problemas, estresses e situações tensas do cotidiano.

No ambiente de trabalho, é preciso que se saiba lidar não só com as próprias emoções, mas também com as emoções de colegas e superiores, de modo a garantir uma convivência empática e tranquila.

A partir da inteligência emocional, também é possível separar os problemas profissionais dos pessoais, focando em cada questão no momento adequado. 

Em seu outro livro, Saúde mental no trabalho e atitude empreendedora, o autor Luciano Leite explica que a satisfação e o bem-estar são resultados de fatores internos com estímulos externos. Ele indica os fatores mais influentes, segundo especialistas, para o bem-estar no trabalho:

  1. Sentimento em relação à função: pessoas satisfeitas profissionalmente costumam mencionar o sentimento de realização em relação às tarefas que desempenham. Sentir-se útil, perceber que pode utilizar suas habilidades e competências, sentir-se valorizado e recompensado financeiramente são os componentes do “gostar do que se faz”;
  2. Relações positivas e agregadoras: consiste na qualidade dos relacionamentos que o trabalhador estabelece com colegas de atividade e lideranças. Trabalhar em um local no qual as pessoas se respeitam, valorizam-se e auxiliam-se é fator determinante para a satisfação do trabalhador e até mesmo para a decisão de permanecer no emprego, mesmo diante de outra oportunidade;
  3. Concordância com os valores da organização: a pessoa conhecer, concordar e promover a cultura da empresa. Ou seja, ela deve compartilhar das crenças, normas e objetivos da organização;
  4. Envolvimento e comprometimento: trabalhadores satisfeitos costumam demonstrar que estão empenhados em entregar resultados cada vez melhores, ao mesmo tempo que torcem pelo sucesso de todos.

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Gestão da emoção e armadilhas da mente

No livro Gestão da emoção, o psiquiatra e professor Augusto Cury explica que lidar com as emoções depende da gestão do pensamento

“São duas gestões que completam o gerenciamento global da mente humana ou psique. A gestão da mente depende diretamente da gestão de comportamentos que desgastam ou poupam energia cerebral. Muitas pessoas são consumidores responsáveis, compram produtos de qualidade, dentro do prazo de validade e que cabem no orçamento, mas e quanto ao consumo emocional, elas são responsáveis? Raramente”, pontua o autor. 

Ele reflete sobre como profissionais das mais diversas especialidades pecam de forma grave no que diz respeito ao consumo emocional responsável

“Compram o que não lhes pertence, como atritos, críticas, discussões, calúnias, frustrações. Sua emoção é terra de ninguém. São especialistas em estressar seu cérebro, aumentar o índice de gasto de energia emocional inútil (GEEI). Você é um especialista em preservar seu cérebro ou em estressá-lo? 

Antes de uma empresa falir, a mente de seus executivos entra em colapso. Antes de profissionais liberais serem excluídos do mercado, a mente deles se engessa. Antes de casais implodirem seu romance, suas emoções entram em decadência.

Do mesmo modo, antes de as pessoas desenvolverem doenças psicossomáticas, sua psique e seu corpo gritam por socorro, porém não são ouvidos. E, antes de falharem na formação de filhos e alunos, pais e professores atuam como meros manuais de regras, e não como estimuladores da arte de pensar”, reflete o autor.

Armadilhas da mente

Ainda segundo Augusto Cury, a nossa mente cria muitas armadilhas e, por ser vítima delas, muitas pessoas passam a vida inteira em conflito.

“Todos querem mudar as características doentias de sua personalidade, sem saber que elas são imutáveis. É possível, no entanto, reeditar as janelas da memória ou construir novas plataformas de janelas saudáveis, que chamo de ‘núcleos de habitação do Eu’. 

Os segredos da personalidade estão guardados na memória. É por esse motivo que uma doença degenerativa como o mal de Alzheimer causa uma desorganização grave na memória e, consequentemente, na maneira de uma pessoa ser, pensar, reagir, interpretar. 

Prevenir o Alzheimer passa não só por irrigar o metabolismo cerebral, como também por estimular o universo da cognição: o resgate de dados da memória, o raciocínio, a criatividade, o pensamento crítico. Do ponto de vista cognitivo, as Técnicas de Gestão da Emoção podem ser fundamentais”, explica. 

O autor recomenda os exercícios de: 

  • Provocar a memória por meio de jogos, como xadrez, damas, cartas; 
  • Estimular a socialização a partir de atividades físicas; 
  • Desenvolver o altruísmo e participando de atividades filantrópicas como um agente atuante, e não como um investidor passivo; 
  • Refinar a arte de contemplar o belo; 
  • Realizar atividades lúdicas e prazerosas que fomentem o sentido da vida e a motivação de viver, como reuniões, debates, escrita e pintura.

Pilares da inteligência emocional

No livro Psicologia Comportamental (Série Eixos), o autor Luciano Leite apresenta também os pilares da inteligência emocional, descritos por Daniel Goleman (1996), que auxiliam no gerenciamento das emoções. 

Conheça-os a seguir!

  1. Autoconsciência;
  2. Autogestão;
  3. Consciência social;
  4. Gestão do relacionamento;
  5. Automotivação.

1. Autoconsciência

Este estágio consiste no reconhecimento das emoções que se está sentindo em determinado momento, a fim de usar tal percepção para orientar as decisões.

Trata-se de uma habilidade importante também para que se consiga perceber as causas que originam e/ou engatilham as emoções.

2. Autogestão

Conhecido também como auto regulação, este pilar diz respeito à capacidade de administrar as emoções de maneira eficiente na relação com outras pessoas, assim como no desenvolvimento das atividades.

Esta habilidade ajuda o indivíduo a refletir melhor antes de decidir sobre determinada ação.

3. Consciência social

Este pilar versa sobre a capacidade de sensibilizar outras pessoas e, ao mesmo tempo, ser capaz de usar a empatia para conseguir enxergar as perspectivas do outro.

4. Gestão do relacionamento

Diz respeito à habilidade de saber lidar com as emoções que existem nas relações, sejam as próprias ou as da outra pessoa. Esta capacidade é essencial para a construção de bons relacionamentos, assim como para saber se comunicar, negociar e liderar.

A gestão do relacionamento também está atrelada à habilidade de administrar, mediar e evitar conflitos.

5. Automotivação

Consiste na capacidade de canalizar as emoções para alcançar objetivos. Ou seja, motivar-se sem depender de estímulos externos.

O autor Luciano Leite lembra que a inteligência emocional é um recurso que pode ser aprimorado e desenvolvido. Para tanto, basta que a pessoa esteja verdadeiramente interessada em se conhecer, promover mudanças na maneira como lida com as próprias emoções e, principalmente, praticar.

Como desenvolver inteligência emocional?

A inteligência emocional possui um papel determinante para o sucesso tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. No livro Psicologia Comportamental (Série Eixos), Luciano Leite indica algumas recomendações feitas pelos principais especialistas no assunto para que se consiga desenvolvê-la.

Acompanhe:

  1. Manter expectativas reais sobre os avanços que se pode fazer em relação à inteligência emocional. Isso quer dizer que se deve aceitar que algumas habilidades serão desenvolvidas rapidamente e que outras demandarão mais paciência para melhorar; 
  2. Fazer autoavaliações sérias e constantes sobre a habilidade com as emoções, preferencialmente de maneira escrita. Se possível, consultar pessoas que conheçam bem e façam essas avaliações com certa periodicidade;
  3. Listar aspectos que a pessoa gostaria/precisa melhorar. Pensar sobre momentos em que essas habilidades deixam a desejar, como isso ocorre, quem está envolvido e como poderia ser diferente; 
  4. Ser o mais criterioso possível no detalhamento dos comportamentos que precisam ser alterados. A chave para encontrar soluções está em observar os vários ângulos
  5. Procurar a orientação de alguém para que seja o conselheiro emocional. Esse indivíduo deve conhecer bem a pessoa, além de possuir maturidade e experiência em aconselhamento; 
  6. Praticar, praticar e praticar. Utilizar da auto-observação, da empatia e da comunicação assertiva para aperfeiçoar a percepção e administrar as emoções.

Em Viva Sem Desculpas – Inteligência Emocional e Agilidade trabalhando a seu favor, a autora Juliane Camargos reflete especialmente sobre a importância do autoconhecimento no desenvolvimento da inteligência emocional:

“Na medida em que me conheço e me compreendo, consigo entender o que me desperta determinadas emoções, o que me permite aprender a me aceitar, e, consequentemente, aceitar o outro. Conhecer a si permite que entendamos como utilizar de maneira equilibrada nossas reações diante dos estímulos da vida. 

É impossível evoluir nossas emoções sem compreender como nos relacionamos conosco. Autoconhecimento é o caminho para o equilíbrio emocional. Não adianta querer ter um relacionamento equilibrado com o outro se não tem um relacionamento saudável consigo. Como entregar amor ao outro se você não entrega esse mesmo sentimento a si?”, pontua.

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Importância de compreender as próprias crenças

A compreensão de nossas crenças, capazes de limitar o nosso olhar sobre o mundo ou direcionar as nossas escolhas, também contribui para o amadurecimento da inteligência emocional, segundo Juliane Camargos.

Ainda no livro Viva Sem Desculpas – Inteligência Emocional e Agilidade trabalhando a seu favor, a autora explica que crenças são pensamentos que são considerados verdadeiros e que, muitas vezes, acabam nos paralisando. 

Ainda que de forma inconsciente, ela reflete que tais pensamentos estão presentes em nossas vidas e determinando nosso modelo mental. Mais do que isso, as crenças criam a nossa percepção de mundo, seja positiva ou negativamente.

“As crenças limitantes surgem, em sua maioria, de maneira inconsciente, como mecanismos de defesa no intuito de evitar situações que gerem frustrações.

Em algum momento de nossa história vivenciamos algum episódio específico que causou sofrimento e, no momento atual, toda vez que há a possibilidade de vivenciar algo parecido com aquele momento que remete ao sofrimento, o gatilho de preservação é acionado.

O nosso inconsciente tenta bloqueá-lo com as crenças limitantes, que nos paralisam a fim de evitar uma possível dor, que, ao final, poderão nem existir”, pontua Juliana.

De acordo com a autora, “é essencial termos conhecimento acerca de quais são nossas crenças, pois esse conhecimento nos permite duvidar delas e construir um novo olhar. Um exercício excelente para ressignificar nossas crenças limitantes é ir em busca da raiz do problema. Ou seja, ter clareza do agente causador da negatividade”.

Ela exemplifica algumas crenças limitantes que costumam nos ser repassadas e que, do nosso lado, as reproduzimos sem mesmo perceber. Confira:

  • Já estou muito velho/novo para isso;
  • Nunca vou encontrar alguém que me queira;
  • No trabalho não é possível ter prazer;
  • Trabalho é só obrigação;
  • Não tenho jeito para isso;
  • Não consigo fazer isso;
  • Homens não choram;
  • É tarde demais;
  • Não tenho sorte.

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Relação entre inteligência emocional e liderança

Liderança e inteligência emocional estão diretamente relacionadas. É preciso que se tenha em mente que, no ambiente organizacional, os profissionais são expostos a uma série de situações que podem despertar emoções negativas, como altas cobranças e pressão.

Neste sentido, profissionais que ocupam cargos de liderança devem conseguir controlar não apenas os próprios ânimos, mas também os de sua equipe. 

Quando você se torna um líder, cada uma de suas ações e decisões pode reforçar ou minar os níveis percebidos de status, segurança, autonomia, conexões e justiça (Scarf) da sua equipe. É exatamente por isso que liderar é tão difícil! 

Tudo aquilo que você diz e a forma como age são notados e interpretados. Mais do que isso, as suas ações são amplificadas e combinadas para chegar a significados que podem ser diferentes dos pretendidos.

Aqui, vale destacar o modelo Scarf, que fornece uma maneira de trazer consciência para estas interações potencialmente frágeis. Aplicá-lo em sua equipe tem efeitos diretos nos processos de tomada de decisões, colaboração, motivação e gerenciamento de estresse.

Isso porque o Scarf apresenta cinco princípios-chave – mencionados logo acima – para ativar a motivação no trabalho.

  • Status: todas as pessoas possuem a necessidade de entender a sua posição em um grupo social. Precisam se sentir valorizadas e respeitadas para que não se sintam excluídas e marginalizadas;
  • Certeza: o ser humano gosta de previsibilidade, aspecto fundamental para desempenharmos os nossos papéis. No ambiente corporativo, os profissionais precisam encontrar transparência e entender as diretrizes da empresa;
  • Autonomia: ter o mínimo de autonomia também é um fator que contribui para a motivação. As pessoas querem ter liberdade para fazer escolhas e tomar decisões;
  • Relações: somos seres sociais e dependemos do convívio em sociedade para viver com plenitude. Sendo assim, cooperação e interação são fundamentais para a nossa motivação;
  • Justiça: necessitamos de trocas justas em nossas relações. Quando uma pessoa se sente injustiçada, sentimentos de raiva e frustração costumam ser desencadeados.

Lembre-se de que, ao aumentar a consciência sobre si, enquanto líder, um gestor pode regular as emoções e se tornar facilitador de mudanças, influenciando e inspirando outros profissionais.

Para tanto, é preciso se autoconhecer, o que envolve entender os seus desejos, objetivos, valores e propósitos. Quando você tem consciência de suas características, é capaz de usar os seus pontos fortes a seu favor, além de trabalhar nos pontos que precisam de melhoria. Este tipo de clareza sobre o que se aspira serve como um guia para suas decisões e escolhas, o que nos leva à autoliderança. 

Todo líder deve aprender a controlar emoções, a ponto de executar tarefas difíceis, pensar nos outros e gerenciar incertezas. Isso é importante porque a liderança pode ser ameaçadora e estressante.

Como apoio nesta jornada, é possível contar com profissionais, como psicólogos, que podem ajudar a potencializar o seu autoconhecimento, além de ferramentas no próprio ambiente de trabalho, como o feedback.

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Inteligência emocional infantil: como ajudar a desenvolver?

Ao se pensar em inteligência emocional, é comum associá-la a algo despertado pela maturidade, com o início da vida adulta.

Tal premissa, contudo, é equivocada. A inteligência emocional infantil ajuda crianças a reconhecerem as próprias emoções e as de outras pessoas, auxiliando os pequenos a lidarem com desafios e frustrações e a construírem relações mais saudáveis.

Embora pareça complexa e abstrata, a educação socioemocional pode ser colocada em prática a partir de atitudes cotidianas. Por exemplo, é possível contar a crianças histórias e incentivá-las a se colocarem no lugar de determinada personagem ou, ainda, criar jogos com o objetivo de incentivá-las a descobrir a emoção por trás de cada expressão facial ou tom de voz.

Encorajar a comunicação a partir do diálogo sincero e aberto, além das artes (dança, literatura, desenho, teatro etc.) e dos esportes, é outra maneira de fomentar o desenvolvimento da inteligência emocional infantil.

Vale também incentivar o trabalho colaborativo – a partir de atividades que propiciem o exercício do diálogo e da empatia –, assim como dar aos pequenos um espaço para que tomem as próprias decisões. Eles precisam ser colocados diante de determinados desafios que estimulem aspectos como autonomia, autocontrole e autoconfiança.

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5 filmes que abordam a inteligência emocional

As produções audiovisuais exploram a fundo as emoções e sentimentos que permeiam a natureza humana. 

Neste sentido, os filmes são uma excelente forma de observar as habilidades de inteligência emocional sendo desempenhadas. Trata-se de uma maneira de identificar comportamentos que se deseja adquirir e também aqueles dos quais é melhor passar longe.

A partir das obras cinematográficas, é possível ver diferentes relações e analisar as emoções e sentimentos que as perpassam. Este é um exercício válido para quem busca melhorar o seu nível de inteligência emocional tanto na vida pessoal quanto na profissional.

Selecionamos, a seguir, cinco filmes para você assistir e colocar esta dica em prática!

  1. O Discurso do Rei;
  2. Erin Brockovich – Uma Mulher De Talento;
  3. A vida é bela;
  4. Divertidamente;
  5. À procura da felicidade.

Confira:

1. O Discurso do Rei

Em O Discurso do Rei (2011), o príncipe Albert, da Inglaterra, deve ascender ao trono como Rei George VI. Contudo, ele tem um problema de fala. 

Sabendo que o país precisa que seu marido seja capaz de se comunicar de forma eficaz, Elizabeth contrata Lionel Logue, um ator australiano e fonoaudiólogo, para ajudar o príncipe a superar a gagueira. 

Uma grande amizade desenvolve-se entre os dois homens, e Logue usa meios não convencionais para ensinar o monarca a falar com segurança. Trata-se de uma história que mostra o poder da resiliência para o processo de superação. Indo além, a história mostra a importância da auto aceitação para que se vença barreiras.

2. Erin Brockovich – Uma Mulher De Talento

Este filme biográfico, lançado no ano de 2000, apresenta a luta jurídica de Erin Brockovich contra a empresa de energia Pacific Gas and Electric. A produção mostra os resultados percebidos quando a inteligência emocional é usada a serviço do outro.

A personagem principal, ao perceber as dificuldades de outras pessoas e ter despertado o seu senso de justiça, mostra-se alguém cuja curiosidade, fala convincente e inteligência emocional levam a um novo patamar, transformando a sua vida e as de outras pessoas.

3. A vida é bela

O enredo do filme A vida é bela (1999) se passa durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália, onde o judeu Guido e seu filho Giosué são levados para um campo de concentração nazista. 

Afastado da esposa, ele precisa usar a sua imaginação para fazer o garotinho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.

O filme mostra como a inteligência emocional pode nos ajudar a controlar as mais diversas situações, incluindo quando o perigo está presente.

4. Divertidamente

Nesta animação, lançada em 2015, nos deparamos com a história de Riley, uma menina de 11 anos que se muda de cidade com os pais e as diversas emoções (alegria, raiva, medo, nojo e tristeza) que comandam o seu cérebro a cada momento. 

No filme, as emoções de Riley são também personagens. Ela precisa controlar o que sente em diversos momentos, lidando com os próprios conflitos e aprendendo a demonstrar empatia consigo mesma.

5. À procura da felicidade

Este filme estrelado por Will Smith é um clássico quando o tema é obra cinematográfica com lições sobre persistência e sucesso profissional. Lançado em 2007, conta a história de Chris Gardner (Will Smith), que fracassa como vendedor e aceita um estágio não remunerado em um banco de investimentos. O seu objetivo é conquistar um futuro melhor para ele e o filho.

A produção mostra como o protagonista consegue, mesmo diante do sofrimento, encontrar sentido para a própria vida e superar os obstáculos, que não são poucos. Destaca-se o seu senso de responsabilidade e de propósito.

E, então, gostou do nosso guia completo sobre inteligência emocional? Continue acompanhando o nosso blog para conferir outros conteúdos que podem ser interessantes para você! Aproveite e leia agora mesmo o artigo que produzimos sobre terapia!

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