Leia mulheres: confira 10 autoras incríveis para prestigiar!

Leia mulheres! Saiba por que ler mais livros escritos por mulheres e conheça 10 autoras incríveis e suas obras. Continue a leitura!
Leia mulheres: imagem de mulher negra sorrindo

Que a leitura é uma ferramenta transformadora, você provavelmente já sabe. Mas você sabia que o tipo de livros que consumimos, bem como os seus autores, também faz toda a diferença nos efeitos que a literatura tem em nós?

Faça este exercício: fique em frente à sua estante, ou abra a sua biblioteca digital. Quantas autoras você encontra? E quantos contemplam a literatura negro-brasileira? E escritores que não pertencem aos países de língua inglesa? E pessoas LGBTQIAP+? 

Viu só? Nós somos inconscientemente levados a consumir sempre os mesmos tipos de histórias: aquelas contadas por homens brancos e heterossexuais, em geral norte-americanos ou ingleses. Mas existe um universo inteiro de outros tipos de literatura para ser consumido. Então por que não começar a ler mais mulheres?

Por que ler livros escritos por mulheres?

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília mostrou que 70% dos livros publicados pelas grandes editoras brasileiras entre 1965 e 2014 eram assinados por homens. Isso significa que a maioria do que estava chegando às prateleiras de bibliotecas e livrarias passava por uma visão de mundo masculina.

No entanto, de acordo com os dados do IBGE, a população brasileira é formada por 51% de pessoas do sexo feminino. As leitoras também são maioria: 57% são mulheres, versus 43% dos homens. 

Então por que elas recebem menos espaços nas editoras? Por que a sua visão de mundo é menos levada em consideração na hora de contar uma história?

As mulheres escrevem pior. Será?

Um argumento muito recorrente é o de que, se as escritoras recebem menos espaço nas editoras, provavelmente é porque os seus livros não são tão bons. Mas será? A história da literatura tem uma narrativa bastante diferente.

De fato, algumas das grandes autoras da literatura mundial precisaram usar pseudônimos masculinos para ter suas histórias publicadas. É o caso das irmãs Brontë, autoras de alguns dos clássicos literários mais aclamados atualmente, ou de Mary Ann Evans, mais conhecida como George Eliott.

Houve também as escritoras que precisaram transformar suas obras literárias em narrativas aparentemente simples, que fossem associadas às mulheres. 

Pense em Jane Austen, por exemplo: seus romances são clássicos ligados à vida doméstica e ao casamento, mas tratam de temas complexos, questionando os papéis femininos da época.

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As mulheres têm menos oportunidades de escrever

A autora Virginia Woolf argumenta, no livro Um teto todo seu, que, se Shakespeare tivesse uma irmã de igual talento, ela provavelmente não alcançaria o mesmo prestígio que ele ganhou com suas obras. Por quê? Porque ela precisaria se dedicar a “questões femininas”, das quais Shakespeare pôde abrir mão.

O papel relegado às mulheres, historicamente, é associado à serventia, à manutenção da casa e à criação dos filhos. O trabalho — sobretudo intelectual — não faz parte das suas funções e, portanto, não é valorizado quando executado por essas mulheres. Tampouco lhes era dada a oportunidade de fazê-lo.

Nesse cenário, como escrever? A resposta de Virgina Woolf é o título do seu livro: uma mulher precisa ter um espaço próprio, no qual possa se dedicar inteiramente ao trabalho de livros

Mas não para por aí: as mulheres racializadas, durante muitos anos, não puderam conquistar este espaço. Então era preciso escrever apesar do trabalho. 

Pense em Maria Carolina de Jesus e Conceição Evaristo: mulheres negras que colocam em seus livros suas experiências, histórias de superação da pobreza e da violência contra a mulher, completamente diferentes daquelas de mulheres brancas e de classes superiores. 

As mulheres recebem menos reconhecimento (e dinheiro!)

Não é novidade que existe uma disparidade salarial entre homens e mulheres. Centenas de pesquisas, em diferentes áreas, comprovam que duas pessoas com mesma capacitação e mesma função têm remunerações diferentes, a depender do seu gênero. 

E isso sem considerar orientação sexual, raça e outros fatores socioculturais que também têm relevância.

No meio literário não é diferente: uma pesquisa indicou que as mulheres autoras, além de menos publicadas, também costumam ser menos consideradas para prêmios literários e são menos convidadas para eventos. 

Então como elas poderiam arcar com os custos de viver da própria escrita? Será que é mesmo necessário conciliar os dois trabalhos? Se sim, por que autores homens não precisam fazer a mesma coisa?

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Então por que ler os livros escritos por essas mulheres?

A resposta, na verdade, é bastante simples: se a leitura é uma atividade responsável por expandir a nossa visão de mundo, ampliar nossos horizontes e nos fazer desenvolver empatia e conhecimento, então diversificar o que lemos é essencial.

Autoras mulheres não são piores que autores homens. Na verdade, muitos dos clássicos que lemos hoje são assinados por elas. E seus livros trazem uma nova perspectiva sobre situações; uma visão única de um gênero que foi, durante séculos, sistematicamente silenciado.

Enquanto leitores, não seria mais interessante ter acesso a esses debates? Não seria mais divertido e enriquecedor conseguir enxergar “os dois lados” da história? E se você é uma leitora mulher, não seria melhor ler sobre experiências e sentimentos que você também vivencia diretamente?

Ler mulheres significa apoiar um lado da literatura que ainda precisa lutar muito para receber reconhecimento. Significa, também, apoiar um mundo literário mais igualitário e justo. E significa, por fim, dar voz a quem tem muito o que dizer.

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Leia mulheres: 10 autoras para conhecer!

Agora que você já sabe por que ler mulheres é tão importante e já está disposto a ampliar a sua biblioteca com autoras de diferentes gêneros, que tal conhecer alguns nomes? A Saraiva Educação selecionou 10 livros de diferentes mulheres para você já ir encontrando sua nova história favorita. Confira!

1. Propósito de vida, de Carol Shinoda

Qual é o seu propósito de vida? Esta é a pergunta que guia a obra de Carol Shinoda, Propósito de vida. Apesar de não ter uma resposta simples, o objetivo é te oferecer o apoio necessário para atravessar esse processo de descoberta.

Neste livro, você será guiado a partir de um método estruturado e testado que combina reflexão e ação por meio de cinco etapas: autoconhecimento, empatia, experimentação, visão de futuro e planejamento, e sustentação. 

Em cada uma dessas etapas, você reunirá as imagens que vão compor uma tela que vai te ajudar a visualizar a sua motivação, suas principais forças, e, enfim, qual é o seu propósito.

Além disso, você terá acesso a textos de psicólogos e profissionais do desenvolvimento humano, além de líderes e educadores, que vão te ajudar a ampliar as suas reflexões sobre o tema. 

A descoberta de um propósito aumenta o bem-estar, melhora a saúde e diminui a ansiedade e a depressão. Então por que não aproveitar essa jornada de autoconhecimento? 

2. Inclusifique, de Stefanie K. Johnson e Ada Felix  

Em Inclusifique, Stefanie e Ada colocam uma questão social importante na mesa: como construir um ambiente diversificado e inclusivo no seu negócio? 

Esta é uma exigência cada vez maior, mas colocá-la em prática não é um trabalho tão simples quanto parece. Afinal, como garantir que todos possam demonstrar sua individualidade e, ao mesmo tempo, sentir que de fato pertencem à empresa, fazendo parte de um time coeso? 

As autoras respondem: inclusifique. Diferentemente de diversificar ou incluir, inclusificar implica um esforço contínuo para ajudar equipes diversificadas a se sentir engajadas, empoderadas, aceitas e valorizadas. 

Afinal, não adianta ter diversidade se as pessoas se sentem excluídas. Aqui, ela mostra os erros mais comuns das empresas ao criar seus times e fornece estratégias práticas para ajudá-las.

Contendo estudos de caso da Salesforce, GM, Starbucks, entre outras, esta é uma obra de extrema importância para os dias de hoje, possibilitando que cada vez mais perspectivas singulares sejam ouvidas e confiram mais valor às empresas.

3. Powerful, de Patty McCord e Sandra Martha Dolinsky 

Patty McCord é uma das criadoras da cultura inovadora de alta performance da Netflix. E, em Powerful, ela explica como empresas vêm atuando de forma totalmente equivocada na hora de avaliar e motivar os seus funcionários. Afinal, no mundo de hoje, as ideias corporativas tradicionais já não fazem mais sentido. 

Se você quer melhorar o desempenho dos seus funcionários, por que não contar com duas mulheres poderosas para te guiar? 

Nesta obra, as autoras desmistificam uma série de conceitos a respeito da gestão de pessoas, propondo a prática da honestidade radical no ambiente de trabalho e motivando equipes por meio de trabalhos desafiadores, e não por meio de privilégios ou bônus. 

Seus conselhos, oferecidos sempre com bom humor e testados na prática, vão mudar o modo como você vê o mundo corporativo, demonstrando que equipes que atuam com mais liberdade e responsabilidade são a maior força que uma empresa pode ter.

4. Frustração, de Adriana Fóz 

Em Frustração, Adriana Fóz explora um dos temas que mais tem lugar de fala. Aos 32 anos, no auge de sua vida pessoal e profissional, ela sofreu um AVC e precisou de cinco anos para voltar a realizar plenamente atividades simples, como falar e andar. 

É fácil imaginar quantas frustrações Adriana precisou enfrentar. Mas, em vez de desistir, ela desenvolveu ferramentas para alcançar a superação. 

Após sua recuperação, mergulhou de cabeça no estudo do funcionamento do cérebro e desenvolveu o conceito da Plasticidade Emocional, que é a capacidade de reconfigurar nossas emoções para enfrentar adversidades. 

Adriana entendeu a teoria por trás daquilo que havia vivido na prática: as competências socioemocionais são imprescindíveis na hora de encarar uma frustração e diminuir seu impacto negativo. 

Neste livro, a autora aborda justamente os temas da superação da adversidade e da minimização do sentimento de frustração. 

Utilizando exemplos reais, ela mostra como as competências emocionais funcionam sempre pelo ponto de vista da neurociência, sua área de atuação, e dá dicas simples para perceber e treinar cada uma delas. 

5. Inflexão Estratégica, de Rita McGrath e Maria Silvia Mourão Netto

Você já ouviu falar sobre pontos de inflexão estratégica? É assim que chamamos as mudanças que podem alterar os rumos de um negócio, sendo capazes de criar novas oportunidades ou de levar a consequências devastadoras. 

Em Inflexão Estratégica, Rita MacGrath e Maria Silvia Mourão se debruçam sobre o assunto para mostrar que apenas os líderes com uma boa visão podem reconhecer esses pontos e fazer com que eles se desenvolvam. Assim, ganham uma enorme vantagem competitiva e passam a se destacar no mercado. 

Por isso, se você quer ver o seu negócio crescer, vale a pena conferir o primeiro guia para te ajudar a identificar esses pontos, além de entendê-los e, mais importante, capitalizá-los.

6. Empodere-se, de Maynara Fanucci

Você já sentiu que precisa dar conta de tudo sozinha? Ou ficou envergonhada de se colocar de forma mais firme? Ou, quem sabe, já aceitou passar por situações desconfortáveis por medo de dizer “não”? Essa é a realidade de diversas mulheres, e Maynara Fanucci quer ajudá-las.

Em Empodere-se, a autora motiva as mulheres a acreditar mais em si mesmas e na enorme força que têm dentro de si. A ideia é que, ao incorporar atitudes simples em seu dia a dia, elas podem gerar uma revolução, construindo um mundo melhor e mais igualitário.

O livro é composto por 100 desafios para você colocar em prática e começar a construir a confiança e a segurança necessárias para viver com conforto e sem se prejudicar.

7. A Lacuna de Autoridade, de Mary Ann Sieghart 

Lacuna de autoridade é uma expressão criada pela jornalista britânica Mary Ann Sieghart para falar do fenômeno de descrédito e menosprezo das mulheres em diversas esferas tradicionalmente dominada por homens, como política, ciência, negócios, cultura e educação. 

Ela se manifesta em pequenas e grandes atitudes, como interrupções e explicações redundantes feitas por homens nas falas de mulheres, além da invisibilidade ou rejeição de figuras femininas em posições de poder. 

Como a autora demonstra, é algo que atravessa todas as pessoas do gênero feminino, inclusive mulheres trans e crianças. Reunindo dados, relatos e falas de especialistas, este livro examina a lacuna de autoridade com profundidade e vigor, sem perder a esperança de que caminhamos para uma sociedade mais igualitária.   

Além de entregar dados chocantes, capazes de ganhar qualquer discussão com quem insiste em não enxergar o problema, a autora investiga caminhos para contornar a questão, entrevistando psicólogos, neurocientistas e sociólogos. 

O resultado é um verdadeiro tratado sobre o descrédito social que as mulheres continuam recebendo em todas as partes do mundo.

8. D. Maria I, de Mary del Priore

Se você gosta de conhecer mulheres da nossa história, D. Maria I é o livro certo. D. Maria I é conhecida há séculos como “a rainha louca de Portugal”. Mãe de D. João VI e avó do futuro imperador brasileiro, D. Pedro I, ela nunca recebeu muita atenção nos livros de história, e os detalhes de sua vida são pouco conhecidos

O que a teria levado à loucura? E será que ela era realmente insana? Ou apenas mal compreendida? A fim de lançar uma nova luz sobre essa figura tão importante, a historiadora Mary del Priore decidiu investigar a fundo sua trajetória. 

Neste livro, ela reconta a vida da monarca de uma perspectiva inédita, revelando que seu estado mental era provavelmente fruto de todas as tristezas e perdas que vivenciou, em uma época em que depressão e melancolia eram confundidas com insanidade e até mesmo consideradas obras do demônio.

9. Atenção Plena, de Ellen J. Langer 

O que, afinal, é ser plenamente atento? Como a atenção plena pode beneficiar nossa saúde, nosso trabalho e até mesmo ajudar a combater o preconceito a injustiça social? 

Esses são alguns dos aspectos abordados pela psicóloga social e professora de Harvard Ellen J. Langer em Atenção Plena. A autora estuda mindfulness há mais de 40 anos, e mostra a importância do pensamento plenamente consciente na hora da tomada de decisão e os malefícios dos comportamentos automatizados. 

Neste livro, Langer propõe deixarmos de lado as categorias em que nos habituamos a encaixar cada coisa da nossa vida e a ver o mundo de uma nova perspectiva. Por meio de estudos de campo que apresentam a atenção plena na prática, ela fornece valiosos insights que podem ser aplicados no nosso dia a dia.

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10. Sobre Viver, de Cleisla Garcia 

A jornalista Cleisla Garcia compartilha, em Sobre Viver, algumas das inquietações que passou a ter quando participou da série de reportagens Suicídio Alerta, na Record TV. 

O que leva pessoas aparentemente saudáveis e felizes a cometer suicídio? Quais sinais quem está pensando em se matar emite antes de, de fato, tentar? Filmes e séries podem mesmo levar pessoas a cometer suicídio ou, na verdade, servem de alerta para pais e familiares?

A autora traz respostas para essas e outras perguntas por meio de relatos de jovens que tentaram tirar a própria vida, familiares que buscam se reerguer após a perda trágica de um ente querido, médicos, psicólogos e voluntários que lutam pela prevenção ao suicídio.

Causa de morte que já ultrapassa o número de homicídios e mortes em conflitos armados no mundo.

Preocupada em seguir as cartilhas da Associação Brasileira de Psiquiatria, do Conselho Federal de Medicina e do Centro de Valorização da Vida (CVV) sobre como divulgar casos de suicídio sem incentivá-los, Cleisla nos oferece um relato delicado e transformador sobre como lidar com um assunto tão delicado e presente.

Pronto: você já conhece diversas autoras e já está pronto para começar a diversificar a sua estante. Agora, que tal se aprofundar um pouco mais e entender a importância da leitura para a aprendizagem

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